Depois de uma sequência de ações contra crimes diversos, Polícia Federal termina o mês investigando dinheiro, candidatos e suspeitas de corrupção eleitoral.
Até o ex-prefeito de Ananindeua Manoel Pioneiro caiu na rede da operação - e setembro termina onde a eleição começa/Fotos: Divulgação.
etembro foi um mês de intensa movimentação da Polícia Federal no Pará. Até ontem, 29, foram 16 operações e ações registradas pela corporação no Estado, envolvendo garimpo ilegal, drogas, fraudes, desvio de recursos, organizações criminosas e outros crimes. Mas há um detalhe que muda a leitura da reta final do mês: as duas últimas ações entraram diretamente no território eleitoral.
No domingo, 27, a PF cumpriu quatro mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral do Pará, em endereços ligados a um parlamentar federal candidato à reeleição. A investigação apura possíveis crimes relacionados às Eleições 2026. Houve prisão em flagrante. Os agentes apreenderam R$ 87.475 em espécie, três veículos, equipamentos eletrônicos e documentos.
Parte do dinheiro estava em envelopes identificados com nomes e acompanhados de registros de recebimento. Em um dos imóveis, um celular foi encontrado escondido no sistema de esgoto, próximo a duas sacolas com dinheiro.
Dois dias depois, ontem, a PF voltou ao assunto. Desta vez, seis pessoas foram presas em flagrante durante uma diligência que investiga possíveis crimes eleitorais e lavagem de dinheiro. Segundo a corporação, os investigadores identificaram o saque de R$ 300 mil em uma agência bancária de Belém. O dinheiro, ainda segundo a PF, teria sido repartido entre os investigados dentro da própria instituição financeira, com indícios de possível destinação à corrupção eleitoral. Entre os presos está o candidato a deputado federal Manoel Pioneiro, do Republicanos. A prisão foi em flagrante e a investigação ainda será submetida à Justiça. O mês termina onde a eleição começa.
É justamente essa coincidência que merece atenção. A PF passou setembro investigando uma variedade de crimes no Pará. Quando o mês se aproxima do fim, porém, o foco de duas ações consecutivas recai sobre um dos temas mais sensíveis de qualquer eleição: dinheiro circulando e suspeitas de compra de apoio ou votos.
Não se trata de afirmar que os investigados tenham cometido os crimes sob apuração. São investigações em andamento, com prisões e apreensões que ainda serão submetidas ao contraditório e à apreciação judicial, mas a sequência é objetiva. Primeiro, R$ 87 mil, envelopes com nomes e um celular no esgoto. Depois, R$ 300 mil sacados em espécie, repartidos dentro de uma agência bancária, e seis prisões.
E assim setembro termina para a Polícia Federal no Pará: depois de percorrer garimpos, contratos, drogas e organizações criminosas, desemboca no terreno eleitoral.

•O prefeito Igor Normando (foto) tem tudo para entrar na versão amazônica do livro dos recordes: vem a ser a personalidade política mais vaiada do pedaço de que se tem notícia por estas plagas - cerca de 100 mil vozes, na avaliação de petistas mais empedernidos.
•As rodas de conversas políticas e empresariais do início da noite de ontem já previam a prisão do ex-prefeito Manoel Pioneiro, daí o corre-corre em comitês, escritórios políticos e pontos estratégicos de campanhas eleitorais em Belém.
•Os marqueteiros de Lula ligaram o alerta: de bets à guerra da fake news sobre a padroeira, o oportunismo eleitoral pode ter passado do ponto. A mão pesou tanto que, na ânsia de turbinar Lula, inflaram a pipa do adversário.
•Inocente demais ou burro? O que está por trás do fim das bets legais e o surgimento, praticamente de forma sincronizada, de 719 plataformas ilegais em dois dias no País?
•A avaliação de quem entende do assunto aponta “dinheiro legal para organizações criminosas”, justamente no momento em que os EUA cobravam "ações mais agressivas" contra a bandidagem.
•O governo mandou o Orçamento de 2027 ao Congresso. Depois, às vésperas da eleição, tomou medidas que exigem ajuste estimado em R$ 42,3 bilhões na peça. A promessa é de 2026., mas a conta entra no Orçamento de 2027.
•Está dando o que falar: em Belém, Lula disse que enquanto "homem não gosta de tomar toque” e “mulher aprende a tomar toque desde pequena”; os adversários agradecem.
•O prazo para entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural 2026 termina hoje (quarta).
•Mudando de armas: o Exército vai mandar militares estudarem em universidades civis em 2027: são 67 vagas em 31 instituições, de UnB e UFF a PUC e IDP. Por algum tempo, sai o fuzil, entra o livro. E conhecimento, convenhamos, também é munição.
•Depois de ser rebatido pela CNBB no caso da padroeira, Flávio Bolsonaro agradeceu. Para ele, a negativa da entidade ajudou a confirmar que a história sobre a Santa era falsa.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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