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Jogada de mestre

Podia ser no Brasil: Premier League retorna sem nenhum clube patrocinado por bet

Nova medida da liga inglesa promove aumento de empresas do setor financeiro como principais patrocinadoras das equipes

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  • Da Redação | Estadão conteúdo
  • 23/08/26 22:00
Podia ser no Brasil: Premier League retorna sem nenhum clube patrocinado por bet

São Paulo, SP - A Premier League teve seu pontapé inicial na temporada 2026/2027 na última sexta-feira, 21, com o confronto entre Arsenal e Coventry City. Uma das novidades da competição será a proibição de patrocínios de bets na parte da frente dos uniformes dos clubes, algo inédito desde a permissão da prática há duas décadas.


A medida foi aprovada pelos times em votação que aconteceu em 2023. O prazo para a retirada dos patrocinadores era de três anos, período que se expirou ao final da última temporada.


Ao todo, 12 equipes possuíam empresas de apostas esportivas como seus patrocínios masters na última disputa do Campeonato Inglês. Três delas foram rebaixadas para a segunda divisão, sendo que duas mantiveram patrocinadores do ramo.


Quarto colocado no ano passado, o Aston Villa trocou o apoio da Betano, que inclusive patrocina o Flamengo e o Campeonato Brasileiro, pela Visit Rwanda, marca do Conselho de Desenvolvimento de Ruanda que visa movimentar a economia do país africano.


Um clube que fechou um acordo com uma companhia do setor financeiro foi o Everton, que acertou com a britânica CMC Markets. A especialidade é a predominante entre os participantes da Premier League com outras quatro empresas: American Express (Brighton & Hove Albion), Monzo (Coventry City), Standard Chartered (Liverpool) e AIA (Tottenham).


“Essa troca de setores entre os principais patrocinadores é natural e sempre aconteceu. O futebol atrai empresas de diferentes segmentos, e, com o surgimento de áreas como fintechs, bets, cripto e inteligência artificial, é esperado que esses novos players busquem visibilidade no esporte à medida que seus mercados amadurecem e ampliam os investimentos em marketing”, afirmou Moises Assayag, sócio-diretor da Channel Associados.


No Brasil, somente duas companhias ligadas ao setor financeiro patrocinam times da elite nacional, casos do Banco BRB, com o Flamengo, e do Banco BMG, com o Corinthians. No entanto, nenhuma delas atuam como patrocinadores masters.


Mudanças dos patrocinadores ao longo das décadas


Os patrocínios nos uniformes no futebol inglês começaram a aparecer no final da década de 1970. O Everton foi o primeiro a estampar uma marca em sua camisa, ao selar uma parceria com a Hafnia, empresa de carnes enlatadas.


No início, os principais patrocinadores das equipes da liga inglesa eram, em sua maioria, do ramo dos eletrônicos, como JVC, Panasonic e Pioneer. Hoje, o setor financeiro domina o quesito com presença em cinco times, seguido da tecnologia (quatro) e da área das companhias aéreas (três).


“À medida que o alcance das transmissões da Premier League aumentou, também aumentou o valor desses acordos .E um dos maiores componentes das receitas comerciais são os acordos de patrocínio na parte da frente das camisas”, explicou Kieran Maguire, professor de finanças do futebol na Universidade de Liverpool, em entrevista à BBC.


A chegada das empresas de apostas esportivas ocorreu em 2006, impulsionada principalmente pelo acordo do Tottenham com a Mansion por 34 milhões de libras (R$ 137 milhões na cotação da época) em quatro anos, valor recorde para aquele período.


Atualmente, os valores dos patrocinadores masters dos clubes de elite da Premier League estão cada vez mais altos. O próprio Tottenham renovou com a AIA, de Hong Kong, em 2019 por 320 milhões de libras (R$ 1,5 bilhão), em contrato válido por oito temporadas.


Apesar da proibição da aparição das bets na parte da frente dos uniformes, marcas do setor poderão ser estampadas nas mangas, nas costas ou nas camisas de treino. Um time que se aproveita da brecha é o Manchester United, que é patrocinado pela Betway em acordo estimado de 20 milhões de libras (R$ 141,4 milhões) por ano.


“As casas de apostas chegaram com uma capacidade de investimento muito alta e passaram a disputar justamente os espaços mais nobres dos clubes. Isso fez com que outros setores, como o financeiro, precisassem repensar a relação entre investimento, exposição e retorno. Não basta oferecer uma camisa ou uma placa; é preciso entender o que aquela propriedade pode entregar para a marca e qual problema de negócio ela ajuda a resolver”, disse Thiciana Simão, CEO e cofundadora da AdSports.


Foto: Reprodução/Instagram

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.