Até 10 de maio de 2026, foram embora do País US$10 bilhões e, em 15 de maio, num único dia, US$2,4 bilhões "vazaram" da bolsa B3
Não cabe aqui discutirmos por que a grande mídia brasileira faz "vista grossa", mas não podemos ignorar um fato preocupante: a fuga em massa de capitais do País. Só em 2025, mesmo com a tão festejada (pelo governo) valorização de 12% do real perante o dólar, a sangria alcançou US$33,3 bilhões.
Até 10 de maio de 2026, foram embora do País outros US$10 bilhões e, em 15 de maio, num único dia, US$2,4 bilhões "vazaram" da bolsa B3.
Mas, afinal, o que será que o investidor estrangeiro andou farejando em terra tupiniquim?
Especialistas e autoridades apontam que o vetor do fenômeno foi o canal financeiro, que acumulou saída líquida de U$82,5 bilhões no ano com remessas de lucros e dividendos ao exterior, inclusive motivadas pela antecipação da distribuição de dividendos para evitar um novo imposto de 10% sobre valores recebidos acima de R$50 mil por mês, que entrou em vigor este ano.
A saída de divisas também foi turbinada pela redução de investimentos diretos e pela venda de ativos financeiros, como ações e títulos públicos, além de uma menor entrada de dólares através do canal comercial, que registrou uma entrada líquida de "apenas" US$ 49,2 bilhões, valor insuficiente para compensar a forte evasão financeira, motivada pelo avanço das importações, que atingiram US$ 238 bilhões, segundo maior volume da série histórica. É o preço a pagar pelo fato de não se apostar na exportação de commodities e não incentivar maciçamente a industrialização.
Ninguém pode negar que previsibilidade e grau de risco é o que alimentam a frieza dos investidores internacionais. Para esse povo, edeologia é zero à esquerda. Fala alto de verdade é e sempre será o lucro; simples assim!
E qual o problema da fuga de divisas? É a desvalorização do real, que, por sua vez, cutuca o dragão inflacionário, que já está fora da meta fiscal faz tempo.
Para piorar a situação, o agravamento das tensões comerciais e geopolíticas agravam o cenário, na medida em que não apresentam perspectivas de solução de curto prazo.
Finalmente, como já reportei em outro artigo, a trajetória de rápida deterioração das contas públicas, com a gastança eleitoral ativada e o déficit próximo a 9% do PIB, além da falta de avanços nas reformas estruturais, minaram de vez a confiança dos investidores. A instabilidade política com a polarização crescente e o aumento das chances de Lula renovar o mandato aumentaram o clima de desconfiança, aterrorizando investidores.
A emigração expressiva de milionários e empresários brasileiros para ambientes como o Paraguai, com menor carga tributária e mais segurança jurídica, é o alerta definitivo para o que ainda poderá suceder.
Foto: Divulgação
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Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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