Registros oficiais apontam shows com atrações repetidas, em horários coincidentes, em diferentes pontos de Belém.
s desdobramentos da operação da Polícia Federal sobre contratos da Fundação Cultural do Pará ainda estão em curso, mas, para além das prisões e valores já conhecidos, um detalhe nos registros oficiais chama atenção: programações publicadas indicam apresentações com as mesmas atrações, nos mesmos dias e horários, em mais de um local da capital.

Segundo os dados disponíveis, os eventos ocorreriam simultaneamente, entre os dias 7 e 9 de março, em praças distintas de Belém, como Jaú, Waldemar Henrique e do Carmo. A questão que surge é objetiva: houve alteração de programação, desmembramento de equipes ou os registros refletem integralmente o que foi executado?
Os contratos que estão sob análise envolvem empresa formalmente ligada ao comércio de livros, mas que também foi contratada para a realização de eventos musicais. No mesmo pacote, aparecem ações de distribuição de livros a municípios do interior - política pública que, segundo fontes do setor editorial, opera com baixa transparência quanto aos títulos adquiridos e à diversidade de fornecedores.
A concentração do mercado e a ausência de detalhamento sobre os acervos distribuídos são pontos recorrentes de questionamento fora dos autos.
A investigação teve início após alerta do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou movimentação atípica envolvendo saque em espécie de R$ 500 mil. A partir daí, a Polícia Federal realizou abordagens, apreendeu valores, equipamentos e prendeu suspeitos ligados aos contratos.
O enredo é conhecido, mas os documentos acrescentam uma camada que ainda carece de explicação: a compatibilidade entre o que foi contratado e o que, de fato, poderia ser executado.
Em nota, a Fundação Cultural do Pará informou que segue a legislação vigente e que contratações por inexigibilidade ocorrem em situações de inviabilidade de competição. Afirmou ainda que parte dos recursos é oriunda de emendas parlamentares com destinação definida e que não possui responsabilidade sobre a gestão dos valores após o repasse às empresas contratadas.
Então, fica combinado assim: no papel, a agenda se multiplica; na prática, resta saber como - e se - ela se cumpriu.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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