Categoria afirma que três aparelhos essenciais estão inoperantes desde março e diz que situação compromete formação médica e atendimento a pacientes do SUS
s médicos residentes do Programa de Residência Médica em Oftalmologia do Hospital Universitário Bettina Ferro de Souza (HUBFS), em Belém, paralisaram as atividades ontem, segunda-feira, 21. A decisão foi comunicada em nota assinada pelos residentes e ratificada na última quinta-feira, 18. Segundo a categoria, a paralisação ocorre diante da “persistência das inconsistências estruturais já comunicadas” e do agravamento da indisponibilidade de equipamentos considerados essenciais para a formação e a assistência.

De acordo com os médicos, três equipamentos fundamentais do serviço estão simultaneamente inoperantes, situação que, segundo eles, torna “insustentável a continuidade das atividades práticas nos moldes atuais”.
Entre os problemas apontados está a suspensão das cirurgias de facoemulsificação, procedimento utilizado na remoção de catarata. O facoemulsificador do serviço estaria deteriorado e sem condições de uso. Segundo os residentes, desde março de 2026 o programa depende de empréstimos e de um equipamento cedido por empresa privada, sem aprovação institucional. A situação, afirmam, impede o cumprimento do mínimo de 150 procedimentos cirúrgicos exigidos para a formação em oftalmologia.
Outro equipamento apontado como inoperante é o aparelho de fotocoagulação, utilizado em procedimentos relacionados ao tratamento de retinopatia diabética, roturas retinianas e outras condições oftalmológicas que podem exigir intervenção.
O terceiro problema envolve o laser de diodo, utilizado em procedimentos como capsulotomia e iridotomia, relacionados ao tratamento de opacificação da cápsula posterior e glaucoma de ângulo fechado. Segundo a categoria, o equipamento também está quebrado, comprometendo outra etapa da formação cirúrgica.
Na avaliação dos residentes, o conjunto de problemas impede o cumprimento da carga cirúrgica mínima prevista para o programa e compromete a assistência aos pacientes da rede pública que dependem desses procedimentos.
A categoria estabeleceu duas condições para o retorno das atividades. A primeira é a retomada efetiva das práticas cirúrgicas de facoemulsificação. A segunda é a apresentação de uma solução objetiva e verificável para a normalização dos equipamentos de laserterapia, incluindo os aparelhos de argônio e diodo. A nota é assinada pelos residentes Daniel Correa Toloza, Luis Eduardo de Carvalho Barros, Flavia Brito da Silva, Ana Carolina Sousa Passos, Wilson da Silva Nunes e Everaldo de Souza Otoni Neto.
A coluna procurou a direção do hospital para esclarecer a situação dos equipamentos, as providências adotadas e os impactos da paralisação e aguarda manifestação.

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Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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