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ABANDONO

Mabe pede socorro e expõe abandono da memória cultural da cidade de Belém

Artistas, servidores e moradores denunciam esvaziamento institucional do Museu de Arte de Belém após reforma administrativa da prefeitura.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 11/06/26 08:20
Mabe pede socorro e expõe abandono da memória cultural da cidade de Belém
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m dos mais importantes patrimônios culturais da Amazônia voltou ao centro do debate público em Belém. No último domingo, 7, durante a 61ª edição do projeto Circular Campina e Cidade Velha, artistas, pesquisadores, servidores e moradores da capital realizaram um abraço simbólico em torno do Museu de Arte de Belém, o Mabe, em um protesto contra o que classificam como abandono institucional da principal unidade museológica do município.

 

Artistas, pesquisadores e moradores de Belém: protesto contra abandono institucional da principal unidade museológica da cidade/Fotos: Divulgação.

A mobilização, batizada de “O Mabe pede socorro”, reuniu dezenas de participantes munidos de faixas e cartazes e deu início a uma campanha que pretende reunir 10 mil assinaturas em defesa do museu. O movimento cobra providências da Prefeitura de Belém para reestruturar administrativamente a instituição e garantir condições adequadas de preservação do acervo.

Mais do que um ato em defesa de um prédio histórico, os manifestantes afirmam que a mobilização busca preservar parte significativa da memória artística e cultural paraense. 

Vazio como herança

Segundo integrantes do movimento, a situação atual do museu começou a se desenhar após a reforma administrativa promovida pela Prefeitura de Belém em fevereiro de 2025, que extinguiu a Fundação Cultural do Município de Belém - Fumbel. Até então, o Mabe funcionava como departamento da fundação, contando com estrutura técnica própria para conservação, pesquisa, curadoria, restauração e ações educativas.

Com a reorganização administrativa, porém, o museu deixou de integrar formalmente uma estrutura específica de gestão cultural. Embora a Secretaria de Cultura tenha sido criada posteriormente, o Mabe não foi absorvido como unidade museológica autônoma. O resultado, segundo servidores e especialistas da área, foi a extinção de cargos técnicos e a perda de instrumentos administrativos fundamentais para o funcionamento da instituição. Na prática, afirmam, o museu ficou sem identidade institucional definida dentro da estrutura da Prefeitura.

Falta de estrutura 

As denúncias não se limitam à questão administrativa. Uma das reclamações recorrentes envolve a falta de materiais básicos para o trabalho cotidiano com o acervo. Segundo relatos, servidores precisam adquirir por conta própria itens como luvas e máscaras para manipular peças históricas. A situação torna-se ainda mais preocupante em razão da natureza do acervo e das condições climáticas de Belém.

Entre os pedidos considerados prioritários está a aquisição de desumidificadores destinados à proteção das obras contra os efeitos da umidade. Segundo pessoas ligadas ao museu, a demanda não foi atendida. O receio é que a ausência de equipamentos adequados comprometa a conservação de peças insubstituíveis, produzindo danos permanentes ao patrimônio público.

“Cultura e memória também são serviços essenciais à vida. Todos têm direito à cultura”, resumiu uma das participantes da mobilização.

 Patrimônio de décadas

Fundado em 1991, o Museu de Arte de Belém ocupa o Palácio Antônio Lemos, imóvel tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), onde funciona também o gabinete da prefeitura. O museu abriga mais de duas mil obras, entre pinturas, esculturas, porcelanas, mobiliário e documentos históricos relacionados à trajetória artística do Pará, da Amazônia e do Brasil.

Entre os destaques do acervo estão trabalhos de Theodoro Braga e a emblemática pintura “A Vendedora de Tacacá”, produzida em 1937 pela artista paraense Antonieta Santos Feio. Outra peça de grande relevância histórica é a tela “Os Últimos Dias de Carlos Gomes”, executada em 1899 pelos artistas italianos Domenico De Angelis e Giovanni Capranesi.

A obra esteve no centro de uma polêmica no ano passado, quando surgiu a possibilidade de utilização do espaço expositivo para atividades administrativas. A reação de artistas, pesquisadores e da opinião pública impediu a mudança.

Tesouro fotográfico

Entre os conjuntos mais valiosos do acervo está uma coleção de 150 fotografias produzidas pelo fotógrafo e antropólogo franco-brasileiro Pierre Verger durante passagens pela Amazônia no final da década de 1940. As imagens retratam Belém, Santarém, Belterra e Fordlândia e constituem um dos registros documentais mais importantes da vida amazônica naquele período.

A aquisição da coleção foi resultado de uma articulação realizada em 2003 pela artista plástica Nina Matos, então diretora do museu, em parceria com o Ministério da Cultura e com patrocínio da Petrobras.

Especialistas alertam que coleções fotográficas desse porte exigem monitoramento ambiental permanente, controle de umidade e condições específicas de armazenamento para garantir sua preservação ao longo do tempo.

Festival de cobranças

A situação do museu já extrapolou os limites do setor cultural. Na terça-feira, 9, a deputada estadual Lívia Duarte (Psol) utilizou a tribuna da Assembleia Legislativa para denunciar o que chamou de processo de esvaziamento do Mabe. Segundo a parlamentar, a perda do status de departamento retirou do museu autonomia administrativa e capacidade de planejamento. “É um golpe terrível na cultura do município de Belém”, afirmou.

Outro ponto que vem gerando debates é a nomeação de Josias Higino Filho para a direção do museu. Recém-formado em Matemática, ele é filho do vereador Josias Higino, integrante da base de apoio do prefeito Igor Normando.  A escolha despertou questionamentos sobre critérios técnicos para ocupação de cargos ligados à gestão museológica e à preservação do patrimônio histórico.

Paralelamente, o Conselho Regional de Museologia da 1ª Região ingressou com representação junto ao Ministério Público do Estado do Pará para apurar a situação dos museus públicos de Belém e do Estado.

O procedimento resultou na abertura de inquérito, mas representantes do setor cultural aguardam medidas concretas que assegurem proteção institucional ao patrimônio.

Símbolo em risco

O protesto realizado no centro histórico de Belém revelou que a preocupação com o Mabe já não se restringe a especialistas ou servidores da área cultural. Para os participantes da mobilização, a discussão envolve o direito da população à memória, à arte e à preservação de sua própria história.

A  situação do principal museu municipal tornou-se um símbolo de uma contradição incômoda. Enquanto Belém projeta seu futuro para o planeta, cresce o temor de que parte importante de seu passado esteja sendo deixada sem a proteção que merece.

Papo Reto

A governadora Hana Ghassan (foto) mandou à Alepa projeto de lei criando uma delegacia especializada no combate a crimes rurais, roubo e furto de gado, a Deleagro. 

•O governo do Pará diz que vai combater o roubo de gado, mas o texto do PL cria ainda uma estrutura para monitorar organizações e ampliar ações de controle no campo. 

A oposição diz que é mais um mecanismo de controle, repressão e monitoramento das comunidades campesinas e para defender o agronegócio. 

•E pergunta por que mais uma delegacia, se o Pará já tem a Delegacia Especializada em Conflitos Agrários, unidade da Polícia Civil que atua na investigação de crimes envolvendo conflitos agrários. 

O submundo está em festa: o Exército suspendeu suas ações de fronteira em combate ao crime organizado por corte de R$4,3 bilhões pelo governo no orçamento da Defesa.

•Coincidência ou não, o corte ocorre justo no momento em que os Estados Unidos carimbaram as duas maiores facções criminosas do Brasil, PCC e Comando Vermelho, com o selo de organizações terroristas.

Do jeito que as coisas andam, já, já o combustível "sabor gasolina" trará dissolvido 35 a 40% de etanol.

•Após aumentos, a Latam também reduziu a oferta de voos para poupar querosene.

O mercado financeiro elevou a previsão de inflação no Brasil para 5,11% este ano.

•A Toyota vai fechar as portas, no dia 30 de junho, de sua fábrica de Indaiatuba (SP), que operava desde 1998 na produção nacional do Corolla Sedan.

A planta chegou a produzir mais de 1 milhão de veículos, empregando cerca de 1,5 mil trabalhadores.


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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.