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PROGRAMAS SOCIAIS

Lula erra ao falar que a maioria dos evangélicos recebe ajuda do governo

Sem coleta de religião em programas sociais, afirmação do presidente não tem base estatística; recortes do IBGE não sustentam números.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 06/05/26 11:00
Lula erra ao falar que a maioria dos evangélicos recebe ajuda do governo
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declaração do presidente Lula de que “90% dos evangélicos recebem auxílio do governo” provocou reação imediata - e por um motivo simples: não há base de dados no Brasil que permita chegar a esse percentual. Programas como o Bolsa Família operam a partir do Cadastro Único, que reúne informações de renda, escolaridade e composição familiar, mas não registra religião dos beneficiários. Sem esse cruzamento, qualquer número fechado é, no máximo, especulativo.

 

Declaração do presidente, no início deste ano, gerou repercussão e críticas, sendo considerada uma "bomba retórica"/Fotos: Divulgação.

Os levantamentos do IBGE captam a religião declarada da população, mas não foram desenhados para medir acesso direto a programas sociais. Ainda assim, permitem uma leitura indireta ao cruzar religião com renda. Esse recorte mostra diferenças importantes de perfil socioeconômico entre grupos religiosos - sem, no entanto, autorizar generalizações numéricas como a feita pelo presidente.

Pará como exemplo

No Pará, os dados indicam maior concentração de evangélicos nas faixas de menor renda, algo entre 70% e 80%. Entre católicos, esse percentual também é majoritário, mas ligeiramente menor, variando de 60% a 70%, com presença proporcionalmente maior nas classes média e alta. Trata-se de um retrato que dialoga com a ocupação urbana, a informalidade e a expansão recente das periferias.

Território, não religião

O crescimento das igrejas evangélicas nas últimas décadas ocorreu, sobretudo, em áreas mais vulneráveis - periferias urbanas e regiões com menor oferta de serviços públicos. Isso ajuda a explicar por que há mais evangélicos entre os mais pobres e, por consequência, entre potenciais beneficiários de programas sociais. Não é a religião que define o acesso ao auxílio, mas condições estruturais como renda, escolaridade e localização.

Correlação, não critério

A presença maior de um grupo religioso entre beneficiários pode existir como efeito indireto da renda, mas não como política pública direcionada. Programas sociais no Brasil não fazem distinção religiosa. Portanto, transformar essa correlação em porcentagem fechada distorce o debate e simplifica uma realidade complexa.

Disputa de narrativa

A fala de Lula também se insere em um contexto político mais amplo, em que o eleitorado evangélico ganhou centralidade. Generalizações numéricas acabam funcionando como instrumento de disputa - mas, sem base empírica, fragilizam o argumento.

Não há evidência que sustente a afirmação de que “90% dos evangélicos recebem auxílio”. O que existe é um quadro social em que diferentes grupos religiosos estão distribuídos de forma desigual entre as faixas de renda. A pobreza, no entanto, não tem religião - e o debate público ganha mais quando se ancora em dados do que em impressões.

Papo Reto

Justiça se faça: tem sido hercúleo o esforço da gestão Igor Normando (foto) para desentupir bueiros, galerias e redes de escoamento de águas pluviais, há anos abandonados e sem manutenção por parte do poder público.

•Guinchos e multas é o que a ordem pública tem dispensado a motoristas que insistem em estacionar sobre as calçadas de Belém.

Os vândalos continuam destruindo legados importantes da COP 30: quebram-se equipamentos, furtam-se plantas, cabos e até fios elétricos - e tudo fica por isso mesmo.

•Vandalismo contra radares é ataque à vida. É sempre bom lembrar: os radares existem para reduzir acidentes e proteger os mais vulneráveis.

Destruir esses equipamentos não é protesto: é ignorar a segurança coletiva e colocar vidas em perigo, pois no trânsito responsabilidade não é opção; é dever.

•A Feira da Indústria do Pará - Fipa 2026 – prevista para os dias 20 a 23 deste mês, no Hangar, estima receber 30 mil visitantes e mais de mil participantes no Congresso Técnico.

A feira reunirá cerca de 100 estandes de produtos, maquinários e serviços de empresas locais, nacionais e multinacionais, fortalecendo conexões estratégicas e impulsionando o ambiente de negócios no estado.

•A Comissão de Direitos Humanos do Senado aprovou projeto que permite pontuação extra em concursos públicos para candidatos que realizarem cursos de combate à violência contra a mulher. Luiza Erundina propôs excluir o feminicídio da competência da Justiça Militar. 

Paulinho da Força propôs permitir que candidatas usem recursos de campanha para custear despesas com filhos e dependentes. A proposta inclui gastos com creche, babás e transporte durante o período eleitoral. 

•O deputado Delegado Caveira quer restrições ao uso de aviões da FAB pelo presidente e vice-presidente da República. 

Mais matérias OLAVO DUTRA

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.