Consumo excessivo de café, jejum prolongado e privação de sono podem agravar sintomas gastrointestinais e prejudicar estudos
São Paulo, SP - Na reta final de preparação para o vestibular, muitos estudantes intensificam a carga de estudos e, ao mesmo tempo, adotam hábitos que sobrecarregam o sistema digestivo, provocando queimação, dor abdominal, azia, náusea e sensação de estufamento
De acordo com a gastroenterologista e professora, Dra. Bruna Padoan, o estresse ativa o eixo cérebro-intestino, gerando alterações hormonais e nervosas que modificam a motilidade gastrointestinal e aumentam a sensibilidade do trato, favorecendo o agravamento de gastrite, refluxo gastroesofágico, dispepsia funcional e síndrome do intestino irritável.
Os principais fatores de risco identificados são: troca de horas de sono por mais tempo de estudo, consumo excessivo de cafeína para combater o cansaço, jejuns prolongados seguidos de refeições volumosas e ingestão de alimentos ultraprocessados. Esses hábitos podem intensificar a ansiedade, insônia e, em alguns casos, desencadear ou piorar azia e refluxo. A médica recomenda manter uma rotina que inclua descanso adequado e atividade física regular para reduzir o estresse e melhorar a qualidade do sono.
A psicopedagoga Nathália Marcondes destaca que a preparação para o vestibular deve equilibrar o tempo de estudo com necessidades básicas como descanso, alimentação e lazer. Ela orienta os estudantes a organizar o cronograma de estudos, estabelecer pausas regulares, respeitar o horário de sono e evitar que a cobrança excessiva transforme o processo em desgaste constante, permitindo ao estudante desenvolver autonomia e autorregulação.
Na véspera da prova, a recomendação é manter a alimentação habitual, em quantidades moderadas, evitando alimentos gordurosos, álcool e suplementos desconhecidos. No dia da prova, deve-se consumir refeições já testadas, hidratar-se adequadamente e não aumentar a dose de café na tentativa de ficar mais alerta.
Estudantes que apresentarem refluxo, gastrite, dor abdominal recorrente ou alterações intestinais devem buscar avaliação médica e evitar a automedicação, sobretudo se houver vômitos persistentes, sangramento digestivo, perda de peso não intencional, dificuldade para engolir ou dor intensa. A mensagem central é que, na fase final de preparação, cuidar do sono, da alimentação e do nível de estresse é tão importante quanto o estudo, pois o cérebro e o aparelho digestivo precisam estar bem para um desempenho satisfatório.
Foto: Freepik
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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