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ELEIÇÕES 2026

Giovanni escolhe outro candidato e pede votos contra orientação do PDT

Presidente estadual que em maio e julho defendia Celso Sabino para o Senado, agora aparece em vídeo pedindo votos para Chicão Melo, do União Brasil.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 26/09/26 09:00

Ao pedir votos para Chicão Melo, candidato ao Senado pelo União Brasil, em detrimento de Celso Sabino, ex-deputado manda às favas Estatuto do PDT/Fotos: Divulgação.


A


cena é daquelas que a política costuma produzir nos bastidores, quando até os “bois voam”. Mas, desta vez, foi parar nas redes sociais: o presidente estadual do PDT no Pará, Giovanni Queiroz, aparece pedindo votos para o deputado Chicão Melo, candidato ao Senado pelo União Brasil, enquanto o próprio PDT tem Celso Sabino como candidato ao Senado no Estado. 

Em fala solene que circula em vídeo na rede social, Giovanni Queiroz recomenda “juízo” e “vontade de transformar” ao recomendar voto na chapa oficial, uma posição que contrasta frontalmente com a candidatura do próprio partido que ele dirige no Pará.

O episódio ganha peso porque não se trata de um dirigente qualquer. Giovanni Queiroz é presidente estadual do PDT e, até pouco tempo atrás, fazia questão de apresentar Sabino como o nome da legenda para o Senado. Em maio, ao receber em Belém o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, Queiroz não apenas defendeu a candidatura de Sabino como o apresentou como uma das principais apostas políticas do partido no Pará. Verdade que o ex-deputado integra o governo do MDB praticamente desde a primeira gestão de Helder Barbalho.

Na ocasião, afirmou que Sabino representava “o que tem de melhor neste Estado, a esperança que temos de um amanhã extraordinário”.

Dois meses depois, em julho, Queiroz voltou a aparecer ao lado de Lupi, desta vez durante a convenção nacional do PDT, em Brasília. Novamente, reafirmou Sabino como candidato pedetista ao Senado no Pará - três dias antes da convenção estadual que oficializou a candidatura de Sabino como o único nome do PDT para a disputa ao Senado no Estado. Com o novo posicionamento, Giovanni Queiroz não corre o risco de “aparecer no Fantástico” - no caso, por defender Sabino três vezes.  

Mudança de estação

A mudança, portanto, não é apenas de preferência eleitoral. É uma guinada pública de posição do próprio presidente estadual da legenda em relação ao candidato que ele ajudou a apresentar e defender como representante do PDT no Pará. E há um agravante político: a candidatura de Sabino conta com o respaldo da direção nacional do partido. Em julho, o Diretório Nacional do PDT aprovou por unanimidade o apoio à reeleição do presidente Lula. 

O partido também estabeleceu, para as eleições de 2026, regras que reforçam o caráter obrigatório das diretrizes partidárias e das decisões tomadas pelas instâncias da legenda.

É nesse ponto que a situação de Giovanni fica especialmente desconfortável. Enquanto a direção nacional organiza o partido em torno de suas candidaturas e orientações eleitorais, o presidente do PDT no Pará aparece publicamente fazendo campanha para um candidato de outra legenda.

Rasteira no Estatuto

Do ponto de vista interno, a situação também merece atenção. O Estatuto do PDT estabelece entre os deveres dos filiados a defesa da unidade de ação do partido, de suas resoluções, acordos e orientações emanadas dos órgãos partidários. O texto também determina que os filiados devem apoiar e promover, por meios lícitos e legítimos, os candidatos do PDT. Convém lembrar que por muito menos o próprio Celso Sabino foi expulso do União Brasil.

A questão ganha ainda mais relevância porque Giovanni ocupa a presidência estadual da legenda - justamente uma posição de direção partidária que pressupõe o cumprimento das decisões tomadas pelas instâncias do partido.

Uma fonte da área jurídica consultada pela coluna faz um importante alerta, de que Giovanni está sujeito às questões de natureza ético-disciplinar internas do partido, cuja apuração e eventual punição dependem das normas do próprio PDT e dos procedimentos previstos pelo partido. Nas eleições de 2026, a Executiva Nacional voltou a reforçar que suas resoluções e diretrizes são de cumprimento obrigatório.

Sabino responde, Chicão agradece

Em vídeo publicado à noite nas redes sociais, Celso Sabino reagiu com indignação ao apoio declarado por Giovanni Queiroz a outro candidato ao Senado não coligado com o PDT, destacando que o presidente estadual já havia manifestado apoio à sua candidatura anteriormente.


Sabino afirmou que sua campanha segue sendo construída ao lado da população e com o apoio do presidente Lula, e disse permanecer firme na defesa do Pará e dos paraenses.


“Recebi com indignação o vídeo do presidente regional do meu partido declarando apoio a outro candidato, depois de todo o apoio que havia manifestado à minha candidatura. Mas minha candidatura não pertence a um dirigente de partido”, declarou.


Por outro lado, Chicão Melo, que nada tem a ver com a história, ganha um apoio de peso na corrida por uma vaga ao Senado, ou, no mínimo, vê a cabeça de quem tinha Sabino como candidato embaralhada a pouco mais de uma semana para as eleições. O agravante está no modelo de eleitor, já que Sabino e Chicão disputam, praticamente, o mesmo tipo de voto na corrida eleitoral deste ano. Cenas do próximo capítulo.




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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.