Denúncia de Renan Calheiros altera eixo do escândalo que soterra a República Avenida Liberdade estreia sob críticas ambientais e alguns riscos de acidentes Violência política contra mulheres entra no radar da Justiça
Artigo

FMI: Dívida pública bruta do Brasil deve alcançar 100% do PIB já em 2027

O pior de tudo, diz o Fundo Monetário Internacional, é que, se nada for feito, a bomba-relógio seguirá inflando até ultrapassar 106,5% em 2031.

  • 782 Visualizações
  • José Croelhas | Especial para a COD
  • 19/04/26 10:00
FMI: Dívida pública bruta do Brasil deve alcançar 100% do PIB já em 2027

Ninguém do governo desmente os números elencados pelo Fundo Monetário Internacional, refletindo uma piora significativa nas projeções para o Brasil, diante da gastança incontrolável de Lula em ações eleitoreiras, emendas parlamentares etc. como se não houvesse amanhã.


Mas o que está por trás da disparidade entre os números apresentados por FMI e governo?


Simples, é que diferentemente do Fundo Monetário Internacional, que inclui os títulos do Tesouro Nacional que estão na carteira do Banco Central - buscando maior comparabilidade internacional -, o cálculo do governo exclui esses títulos, resultando num volume mais baixo da dívida. Com o artifício, em fevereiro de 2026 o BC registrou uma dívida bruta de "só" 79,2% do PIB.


Utilizando uma metodologia mais ampla, o FMI traça um cenário de deterioração acelerada no Brasil: 2026, dívida bruta projetada em 96,5% do PIB; 2027 atingir-se-á o marco simbólico de 100% do PIB, ou seja, no primeiro ano do próximo mandato presidencial virá o "infame empate". Em 2031, mantida a trajetória de alta, chegaremos a 106,5% do PIB, maior patamar da projeção. Tragédia anunciada!


Ressalto que, para efeito de comparação, a dívida pública mundial só deve atingir os 100% do PIB em 2029, dois anos depois do Brasil.


A preocupação se agrava ao compararmos o Brasil com seus pares emergentes: enquanto o FMI projeta a dívida do Brasil em 96,5% do PIB para 2026, a média para os demais países é de 78,9%. 


A projeção para o Brasil é a quarta maior entre 36 países emergentes analisados, ficando atrás apenas de Bahrein, Ucrânia e China.

Mas por que as projeções pioraram?


Primeiro pela revisão de alta do déficit (o FMI elevou a projeção do rombo nas contas públicas, o que pressiona diretamente a dívida).


Também pelo efeito "Bola de Neve", traduzido no aumento das despesas com juros, num cenário de Selic elevada, tornando a dívida cada vez mais cara e difícil de estabilizar.

O que o FMI alerta e recomenda é o fortalecimento dos marcos fiscais, a fim de conter as pressões sobre as contas públicas. Isso implica em ajustes no arcabouço fiscal para garantir credibilidade e sustentabilidade no médio prazo.


Mas se em ano não eleitoral o governo nunca deu a menor bola para o pilares técnicos do processo de endividamento, imagina em ano de reeleição do presidente...


Embora o número do FMI seja mais alto, a trajetória ascendente é um ponto de consenso entre analistas, representando um desafio central para a economia brasileira nos próximos anos. Quem sobreviver verá.


Foto: Divulgação

________________________



Mais matérias Opnião

img
Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.