O pior de tudo, diz o Fundo Monetário Internacional, é que, se nada for feito, a bomba-relógio seguirá inflando até ultrapassar 106,5% em 2031.
Ninguém do governo desmente os números elencados pelo Fundo Monetário Internacional, refletindo uma piora significativa nas projeções para o Brasil, diante da gastança incontrolável de Lula em ações eleitoreiras, emendas parlamentares etc. como se não houvesse amanhã.
Mas o que está por trás da disparidade entre os números apresentados por FMI e governo?
Simples, é que diferentemente do Fundo Monetário Internacional, que inclui os tÃtulos do Tesouro Nacional que estão na carteira do Banco Central - buscando maior comparabilidade internacional -, o cálculo do governo exclui esses tÃtulos, resultando num volume mais baixo da dÃvida. Com o artifÃcio, em fevereiro de 2026 o BC registrou uma dÃvida bruta de "só" 79,2% do PIB.
Utilizando uma metodologia mais ampla, o FMI traça um cenário de deterioração acelerada no Brasil: 2026, dÃvida bruta projetada em 96,5% do PIB; 2027 atingir-se-á o marco simbólico de 100% do PIB, ou seja, no primeiro ano do próximo mandato presidencial virá o "infame empate". Em 2031, mantida a trajetória de alta, chegaremos a 106,5% do PIB, maior patamar da projeção. Tragédia anunciada!
Ressalto que, para efeito de comparação, a dÃvida pública mundial só deve atingir os 100% do PIB em 2029, dois anos depois do Brasil.
A preocupação se agrava ao compararmos o Brasil com seus pares emergentes: enquanto o FMI projeta a dÃvida do Brasil em 96,5% do PIB para 2026, a média para os demais paÃses é de 78,9%.
A projeção para o Brasil é a quarta maior entre 36 paÃses emergentes analisados, ficando atrás apenas de Bahrein, Ucrânia e China.
Mas por que as projeções pioraram?
Primeiro pela revisão de alta do déficit (o FMI elevou a projeção do rombo nas contas públicas, o que pressiona diretamente a dÃvida).
Também pelo efeito "Bola de Neve", traduzido no aumento das despesas com juros, num cenário de Selic elevada, tornando a dÃvida cada vez mais cara e difÃcil de estabilizar.
O que o FMI alerta e recomenda é o fortalecimento dos marcos fiscais, a fim de conter as pressões sobre as contas públicas. Isso implica em ajustes no arcabouço fiscal para garantir credibilidade e sustentabilidade no médio prazo.
Mas se em ano não eleitoral o governo nunca deu a menor bola para o pilares técnicos do processo de endividamento, imagina em ano de reeleição do presidente...
Embora o número do FMI seja mais alto, a trajetória ascendente é um ponto de consenso entre analistas, representando um desafio central para a economia brasileira nos próximos anos. Quem sobreviver verá.
Foto: Divulgação
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Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A ProvÃncia do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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