Amor pela música e pelas artes foi a forma encontrada para homenagear e demonstrar saudades.
Integrantes de diferentes gerações da família Ataíde se reuniram no último dia 12, no cemitério Santa Izabel, em Belém, para homenagear o pai, Otacílio Ataíde dos Santos, já falecido, na data em que ele completaria 89 anos de idade. A forma, no entanto, chamou a atenção nas redes sociais. Os filhos, netos, noras realizaram uma roda de samba com músicas admiradas pelo pai, em vida, para celebrar as lições deixadas por ele, em Terra.
A homenagem foi registrada em vídeos divulgados entre os familiares. “Nossas férias só começavam, de fato, depois do dia 12 de julho, porque todo mundo fazia questão de ficar perto dele. Nosso pai ficou órfão muito cedo, mas sempre falou que o pai, nosso avô, sempre foi um excelente violonista. Esse amor pela música foi a maneira mais pura e amorosa que encontramos para homenageá-lo”, revelou Jardel Ataíde, um dos filhos.
Jadir Ataíde, outro filho, conta que levou os instrumentos para o cemitério já pensando na homenagem. Assim que as preces pela alma de “seu Cici” terminaram, ele distribuiu o material entre os irmãos e sugeriu a homenagem. “Nosso pai era uma pessoa alegre, adorava música e sabia aproveitar a vida muito bem. Era uma pessoa muito querida e que sempre nos ensinou a olhar o lado bom da vida. Por isso essa homenagem simples, mas, ao mesmo tempo, justa e cheia de amor”, contou Jadir.
Um dos clássicos levados na roda de samba foi “Naquela Mesa”, de Nelson Gonçalves, que serviu tanto para lembrar do pai quanto para homenageá-lo. A canção era uma das preferidas do seu Cici. “Temos um boi-bumbá na Terra Firme, o Marronzinho, que leva alegria e formação para muitas pessoas. E essa veia cultural, esse gosto por música e as atividades de integração entre as pessoas é tudo parte da herança deixada por nosso querido pai. Nada mais justo que dedicar essa canção e a dedicação à música, em toda sua essência, a ele”, contou Joélcio Ataíde.
Seu Cici faleceu em Belém, há um ano e sete meses por problemas respiratórios. Delegado de Polícia Civil aposentado, sua partida foi sentida não apenas pela família, mas também por muitas pessoas no bairro da Terra Firme, onde ele se estabeleceu desde que veio de Salvaterra, cidade natal, para morar na capital paraense. Apesar de improvisada e discreta, a homenagem foi admirada e aplaudida por todos que tiveram o privilégio de conviver com seu Cici em vida.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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