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Novo conflito

Estados Unidos ignoram negociações nucleares e atacam o Irã com apoio de Israel

Ação de Trump e Netanyahu ocorre após nova rodada para discutir programa nuclear da teocracia ser marcada

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  • Da Redação | Com a Folha
  • 28/02/26 10:00
Estados Unidos ignoram negociações nucleares e atacam o Irã com apoio de Israel

São Paulo, SP - Os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã de surpresa na manhã deste sábado (28), em uma ação mirando a cúpula da governo e das Forças Armadas do país persa chamada Operação Fúria Épica. O futuro do regime islâmico instalado em 1979 e das relações de poder no Oriente Médio agora está em suspenso.


Em retaliação, os iranianos lançaram barragens de mísseis e drones contra Israel e ao menos quatro bases americanas na região, levando a guerra a aliados árabes de Washington: Qatar, Kuwait, Barhain e Emirados, onde ao menos uma pessoa morreu, foram atingidos.


Imagens e relatos que conseguiram furar o bloqueio da internet no Irã indicam que o alvo principal na capital foi a região que concentra o palácio presidencial e a residência do líder supremo, Ali Khamenei. Colunas de fumaça e explosões eram visíveis também no aeroporto Mehrabad.


Tanto Khamenei quanto o presidente Masoud Pezeshkian foram declarados vivos pelas agências de notícias estatais, mas ainda não há imagens dos dois. As Forças Armadas de Israel falaram em ataques em todo o país, e a agência Irna disse que ao menos 40 pessoas morreram quando uma escola foi atingida em Minab (sul).


A ação ocorreu mesmo depois de ter sido marcada uma quarta rodada de negociações entre americanos e iranianos acerca do programa nuclear de Teerã, que o presidente Donald Trump disse querer ver desmantelado completamente.


Em um vídeo divulgado na sua rede Truth Social, Trump sugeriu a derrubada do regime, instando os moradores a tomar os prédios governamentais. Em janeiro, ele havia prometido ajudar manifestantes reprimidos brutalmente por Teerã, mas recuou e passou a focar a questão nuclear.


"Há pouco, os militares dos EUA iniciaram grandes operações de combate no Irã. O nosso objetivo é defender o povo americano eliminando ameaças do regime iranianos. Um grupo vicioso de pessoas terríveis", disse o republicano. "Entreguem suas armas ou enfrentem a morte certa.”


O premiê israelense, Binyamin Netanyahu, disse que a ação "criará as condições para que o corajoso povo iraniano tome seu destino em suas próprias mãos". "Chegou a hora de todos os setores do povo no Irã se livrarem do jugo da tirania e trazerem um Irã livre e amante da paz", afirmou.


Já o Ministério das Relações Exteriores iraniano disse que os ataques contra o país tiveram como alvo uma série de instalações militares e civis em várias cidades, e que eles acontecem "no meio de um processo diplomático".


Ainda não há detalhes claros do escopo da ação. Se Khamenei estiver morto, se tornará o primeiro chefe de Estado no poder assassinado por Washington na história. O iraniano de 86 anos liderava seu país desde 1989, quando morreu o fundador da República Islâmica, aiatolá Ruhollah Khomeini.


As negociações ocorridas na quinta-feira (26) na casa do embaixador omani em Genebra eram consideradas cruciais. Ao fim delas, os mediadores e o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, anunciaram progresso e nova rodada em Viena na semana que vem.

Na terça-feira (24), Trump havia reiterado que preferia uma solução diplomática para a crise, mas que estava pronto para agir e impedir que o Irã obtivesse a bomba atômica.


Lá fora


Nada disso é provável com o país sob ataque. A chance de a Guarda tomar as rédeas, se sobreviver de forma organizada, não é desprezível também, tornando o autocrático Estado religioso numa ditadura militar sob linhas semelhantes.


Outra opção é uma guerra civil, dado que não está nos planos e na capacidade mobilizada de Trump a hipótese de uma ação terrestre para empoderar algum grupo no comando.


Este era um temor de ativistas, que buscaram eleger a figura do filho do xá deposto pelos aiatolás, Reza Pahlavi, como nome consensual, o que parecia ilusório dado o distanciamento do príncipe homônimo, radicado nos EUA.


O príncipe herdeiro do Irã afirmou neste sábado que a ajuda esperada dos EUA chegou. "Trata-se de uma intervenção humanitária e seu alvo é a República Islâmica, seu aparato de repressão e sua máquina de matar, não o grande país e nação Irã", disse ele, também pelas redes sociais.


Foto: AFP

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.