Presidente coloca no mesmo palanque Helder, Chicão e Celso Sabino e diz que partidos precisam avaliar qual dos três tem condições de conquistar uma das duas vagas.
Sugestão do presidente Lula ficou – e provavelmente não será atendida – sem resposta verbalizada, mas imagens falam/Fotos: Divulgação.
problema estava no palanque. Lula apenas resolveu colocá-lo em voz alta, embora não quisesse fazê-lo, conforme admitiu para todo mundo ouvir. Na noite de segunda-feira, 28, em Belém, o presidente reuniu diante do público três candidatos aliados que disputam as duas vagas do Pará no Senado: Helder Barbalho, do MDB, Chicão, do União Brasil, e Celso Sabino, do PDT. Em vez de contornar a situação, Lula foi direto ao ponto: disse que PT e MDB precisam conversar e avaliar qual dos três tem condições de ser eleito.
Não foi exatamente um pedido de desistência. Ninguém recebeu de Lula, publicamente, a ordem para sair da disputa, mas a matemática apresentada pelo presidente é incontornável: são três candidaturas do mesmo campo político para apenas duas cadeiras. “Sabino, você sabe que eu quero que seja candidato ao Senado. O Chicão tem o apoio do companheiro Helder”, afirmou Lula. Na sequência, veio a cobrança para que os presidentes do PT e do MDB façam uma avaliação conjunta, “amanhã ou, no máximo, depois de amanhã”, para verificar quais dos três têm condições de conquistar uma cadeira no Senado.
O episódio tem uma particularidade que ajuda a medir o tamanho do problema. O PT paraense apoia formalmente Helder e Chicão para o Senado. Celso Sabino, embora tenha o apoio pessoal de Lula, não integra a chapa majoritária apoiada pelo partido no Estado. A presença de Sabino no palanque de Lula chegou a ser tratada como um ponto de dúvida antes do ato, justamente porque ele disputa uma das mesmas vagas destinadas aos candidatos apoiados pela aliança local, mas os três acabaram ficando lado a lado. Lula, então, fez aquilo que as articulações políticas costumam tentar evitar em público: reconheceu as duas linhas de apoio.
De um lado, o presidente da República dizendo que quer Sabino candidato. De outro, Helder apresentando Chicão como seu candidato ao Senado. A fotografia do palanque ganha, por isso, valor jornalístico. Não como prova de qualquer estado de espírito, mas como registro de uma situação politicamente incomum: três candidatos da mesma órbita política dividindo o mesmo espaço, enquanto o principal líder nacional do grupo admite que a equação precisa ser resolvida.
Helder procurou, no próprio palanque, retirar da disputa a ideia de confronto entre aliados. Disse que os três não são inimigos e lembrou, inclusive, que foi ele quem apresentou Celso Sabino a Lula quando ainda era governador. Segundo Helder, daquela conversa surgiu a aproximação que levou Sabino ao Ministério do Turismo.
“Esse palanque tem três candidatos ao Senado, só são duas vagas. Primeiro, nós não somos inimigos entre nós”, afirmou. Helder acrescentou que uma briga entre os integrantes do grupo poderia favorecer adversários. A manifestação sugere que a resposta de Helder, pelo menos publicamente, não foi confrontar Lula, mas defender a unidade do grupo - mas unidade e candidatura são coisas diferentes.
O presidente pediu uma avaliação. E uma avaliação, neste caso, necessariamente passa pela possibilidade de que pelo menos um dos três reveja seus planos.
A presença de Sabino na disputa já vinha produzindo uma situação peculiar na aliança governista. O PDT apoia Lula nacionalmente, mas Sabino concorre ao Senado contra os dois nomes que formam a chapa apoiada pelo PT para as vagas paraenses. O ex-ministro vem utilizando justamente sua relação com Lula como um dos elementos de sua campanha. Antes do comício, chegou a haver a informação de que ele ficaria fora do palanque principal; posteriormente, foi incluído e acabou discursando ao lado de Helder e Chicão. Agora, o próprio Lula colocou prazo para que os partidos conversem.
A situação ficou ainda mais delicada porque a eleição para o Senado não permite uma solução matemática simples dentro da própria chapa. Cada eleitor paraense terá dois votos para senador, e o Estado elegerá dois nomes. Há outros candidatos competitivos na disputa, entre eles Éder Mauro e Zequinha Marinho.
Pesquisas divulgadas nos últimos dias mostram, inclusive, cenários diferentes para a corrida, razão pela qual não seria correto transformar nenhum levantamento isolado em previsão do resultado. Na Real Time Big Data divulgada em 28 de setembro, por exemplo, Helder apareceu com 36%, Chicão e Éder Mauro com 16% cada, Zequinha com 13% e Sabino com 10%. Foram 1.600 entrevistas realizadas entre 23 e 26 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Na pesquisa Quaest/TV Liberal divulgada dois dias antes, os números eram diferentes: Helder tinha 25%, Chicão e Éder Mauro, 15% cada, Zequinha, 10%, e Sabino, 5%. Mais do que apontar quem está à frente ou atrás, os levantamentos ajudam a explicar por que a coordenação política entrou em campo na reta final: a composição de votos para duas cadeiras é uma disputa diferente de uma eleição majoritária de uma única vaga.
Ao cobrar uma conversa entre os presidentes do PT e do MDB, o presidente transferiu a discussão para as estruturas partidárias. A decisão, portanto, não ficou restrita aos candidatos. O problema é que há interesses distintos dentro do mesmo campo. Lula tem seu candidato: Celso Sabino. Helder tem o seu: Chicão – e o PT paraense, formalmente, está com Helder e Chicão. A pergunta é se todos chegarão até o fim mantendo suas candidaturas.

•Na operação anterior, o celular voou pela janela. Agora, a PF encontrou outro no esgoto, durante buscas em endereço ligado a Antônio Doido (foto)_. Também havia R$ 87 mil em envelopes com nomes e registros. Antes voava; agora mergulha. Certas imagens dispensam legenda.
•Um detalhe chama atenção no caso do deputado Antônio Doido: com quatro operações da Polícia Federal nos costados, o homem ainda tem tempo para ser representante do Pará em Brasília. É um dínamo.
•A Diretoria da Festa de Nazaré reúne instituições nesta terça, 29, para alinhar as homenagens ao Círio e à Trasladação. A ideia é preservar criatividade e espontaneidade sem deixar a devoção perder identidade. Fé também precisa de combinado.
•Moradores da Castelo Branco reclamam de esgoto correndo a céu aberto e apontam um restaurante como possível origem do despejo de gordura. A denúncia precisa de fiscalização. Belém já coleta menos de 30% do esgoto produzido. O resto fica por conta do nariz.
•O minério de ferro continua absoluto na pauta mineral brasileira, com exportações que chegam a R$ 43 bilhões. Na sequência aparecem o ouro, com R$ 3,12 bilhões, e o cobre, com R$ 3,11 bilhões.
•Os números são da Agência Nacional de Mineração. O diretor paraense José Fernando Gomes Jr. chama atenção ainda para a Compensação Financeira pela Exploração Mineral, a CFEM, que movimenta bilhões e beneficia estados e municípios produtores. Minas Gerais e Pará seguem entre os maiores contemplados.
•Minério sai, bilhões circulam, Cfem entra. A pergunta que fica, como sempre, é quanto dessa riqueza chega, de fato, à vida de quem mora onde a mineração acontece.
• Bet proibida, bet multiplicada: após a proibição, surgiram mais de 500 novas casas ilegais no Brasil, segundo levantamento da Bet Legal. Agora, a AGU cobra R$ 1 bilhão por prejuízos ao SUS. Fecharam a porta. O mercado clandestino abriu 500 janelas - e a conta chegou ao SUS.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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