Venda de participação na Ciclus Amazônia escancara contradição entre lucro privado e colapso da gestão de resíduos em Belém
Cooperativas denunciam calote de mais de R$ 1,5 milhão, mesmo depois de decisão judicial favorável/Fotos: Divulgação.
venda de 45% da Simpar na Ciclus Amazônia por R$ 121,5 milhões, anunciada pelo jornal “Valor Econômico” no último dia 17, expõe um contraste incômodo: enquanto o ativo financeiro da concessão se valoriza no mercado, a realidade da gestão de resíduos sólidos em Belém caminha para o colapso operacional e social.
A transação, que transfere a fatia para a Sustentare Saneamento, é apresentada como estratégia corporativa de eficiência e geração de valor, mas ignora o cenário crítico enfrentado na ponta do serviço público essencial, em Belém.
Nos bastidores da cidade, a crise do lixo já deixou de ser apenas um problema urbano para se tornar um passivo político e social de grandes proporções. Cooperativas que sustentam a coleta seletiva denunciam um calote superior a R$ 1,5 milhão, com pagamentos suspensos há cerca de dez meses, mesmo após decisão judicial favorável.
O resultado é previsível: paralisação de caminhões, interrupção de rotas e risco real de colapso da coleta seletiva. A engrenagem que deveria sustentar a política ambiental de Belém trava justamente na base mais vulnerável - trabalhadores que operam com baixa renda, estrutura precária e dependência direta desses repasses.
A crise revela mais do que inadimplência: escancara falhas estruturais na fiscalização do contrato por parte do poder público. A Prefeitura de Belém, como concedente, aparece sob pressão diante de denúncias de omissão, reuniões improdutivas e ausência de respostas efetivas. A justificativa informal de entraves administrativos ligados a investigações não sustenta o descumprimento contratual, e reforça a percepção de desorganização na gestão de um serviço estratégico.
Nesse contexto, a venda da participação na concessionária ganha contornos ainda mais delicados. O movimento empresarial ocorre em meio a uma operação que, na prática, já demonstra sinais de esgotamento. O ativo negociado no mercado financeiro é o mesmo que, no território urbano, acumula falhas, dívidas e desgaste político. A pergunta que emerge é inevitável: como um contrato que enfrenta crise operacional e questionamentos públicos ainda se mantém suficientemente valioso para movimentar mais de R$ 120 milhões?
A resposta passa por uma desconexão recorrente entre a lógica do mercado e a realidade dos serviços públicos concedidos. Enquanto investidores ajustam portfólios e reorganizam ativos, a população de Belém convive com falhas na limpeza urbana e a fragilização de políticas ambientais.
A coleta seletiva, que deveria simbolizar avanço sustentável, se transforma em evidência de abandono institucional. O relatório assinado por cooperativas da Rede Recicla Pará escancara essa crise que vai além do contrato - e já respinga no núcleo político da gestão municipal.
Segundo o documento, sete cooperativas que atuam na coleta seletiva de Belém denunciam a suspensão, há cerca de dez meses, dos pagamentos devidos pela concessionária responsável pela limpeza urbana, e por isso a dívida ultrapassa os R$ 1,5 milhão.
As cooperativas afirmam que ingressaram com ação judicial ainda em janeiro e obtiveram decisão favorável, com prazo de 15 dias para pagamento. A concessionária teria recorrido - e, segundo o relato, os valores seguem em aberto. Nos bastidores, o episódio já é tratado como mais um vetor de desgaste para a gestão municipal, especialmente em um ambiente político sensível.
Internamente, a justificativa que circula é a existência de uma suposta CPI envolvendo a concessionária, o que teria travado decisões administrativas. As cooperativas contestam: alegam que tratativas internas não suspendem obrigações contratuais nem justificam inadimplência. A leitura que ganha força é de que o problema foi sendo empurrado - enquanto o passivo crescia.
A Secretaria de Zeladoria Urbana aparece no centro das críticas. Há relatos de reuniões sucessivas sem solução concreta, prazos informais descumpridos e ausência de definição operacional. Também surgem queixas de tratamento desigual entre cooperativas, com impacto direto na capacidade de funcionamento de parte delas.
O caso atinge a Prefeitura de Belém em um momento de acúmulo de tensões administrativas. A coleta seletiva, que deveria ser uma agenda positiva, passa a simbolizar desorganização e fragilidade na condução de contratos estratégicos. Há preocupação com possíveis desdobramentos jurídicos, especialmente quanto à responsabilidade do município como poder concedente.
A coleta de recicláveis na capital depende, majoritariamente, das cooperativas. São trabalhadores que operam com estrutura limitada, renda instável e baixo suporte institucional. Sem pagamento e sem logística, o impacto é imediato - e socialmente sensível.
O que se diz é que a prefeitura acompanha a execução do contrato de concessão e que eventuais pendências estão sendo apuradas nas instâncias administrativas competentes. A gestão, segundo fontes da coluna, mantém diálogo com as cooperativas e busca garantir a continuidade dos serviços, observando os limites legais e contratuais. Já a concessionária responsável pela limpeza urbana não havia se manifestado até o fechamento desta edição. O espaço segue aberto para posicionamento.
Ao trazer o caso à tona, as cooperativas pressionam por uma solução que já não pode mais ser adiada. Se confirmadas, as falhas expõem uma engrenagem essencial operando no limite - e colocam na conta da gestão não apenas um passivo financeiro. Mas um desgaste político que cresce na mesma proporção.

•A suposta tentativa de puxar Ana Júlia Carepa (foto) para a suplência de Celso Sabino azedou o clima no PT local. O convite, atribuído ao próprio Lula, teria sido recusado - decisão que contrariou parte da legenda.
•A conta era simples: com Sabino no Senado e eventual ida para ministério, a vaga abriria. A recusa desmontou o plano e expôs fissuras internas.
•Resultado: desconforto político e cobrança cruzada. Quando a equação não fecha, o ruído aparece.
•Aliás, circula nas redes a tese de Celso Sabino como vice na chapa de Hana Ghassan. Não bate com o que está posto: o PDT já carimbou o Senado como destino.
•A presença frequente ao lado da governadora alimenta leitura apressada, mas agenda institucional não é, por si, desenho de chapa. Por ora, é mais narrativa digital do que movimento real.
•O craque Oscar Schmidt, falecido nesta semana, também jogou pelo Paysandu, em Belém, em 1999. Essa e outras histórias aparecem no livro “De Mosqueiro a Xangai”, do ex-jogador de basquete Nélson Maués.
•A OAB do Amapá confirmou avanços na articulação para criação do Tribunal Regional do Trabalho da 25ª Região, o TRT25, com sede no Amapá.
•A publicação menciona encontro entre o presidente do TST, Ministro Luiz Philippe Vieira, o senador Randolfe Rodrigues e a comitiva da Ordem.
•Atualmente, o Estado é jurisdicionado pelo TRT8, em Belém, mas a autonomia administrativa promete mudar o cenário.
•Com a criação de um novo TRT, cresce a possibilidade de contratação de um número maior de servidores naquele Estado.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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