Corte de recursos suspende operações do Exército nas fronteiras amazônicas e expõe um velho dilema brasileiro.
recente decisão do governo federal de contingenciar R$ 4,363 bilhões do orçamento do Ministério da Defesa produziu um efeito que deveria preocupar muito além dos quartéis. Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, a medida levou o Exército a suspender operações de monitoramento e combate ao crime organizado em áreas de fronteira da Amazônia.

Entre as ações afetadas está a Operação Ágata, uma das principais iniciativas de fiscalização em regiões que fazem divisa com Colômbia, Peru e Bolívia. Apenas neste ano, antes da paralisação, a operação havia apreendido mais de 15 toneladas de drogas, destruído dezenas de dragas utilizadas no garimpo ilegal e interrompido a atuação de mais de uma centena de balsas clandestinas.
A discussão, porém, vai muito além do contingenciamento de verbas ou da rotina administrativa dos quartéis. Ela alcança uma questão recorrente na história brasileira: a dificuldade de transformar soberania em presença efetiva do Estado.
Nos últimos dias, o governo brasileiro reagiu à decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. A resposta oficial foi baseada na defesa da soberania nacional e da autonomia do país para definir seus próprios instrumentos jurídicos e de combate ao crime.
Mas a soberania não se sustenta apenas em notas diplomáticas, discursos ou manifestações de princípio. Ela também depende da capacidade concreta de vigiar fronteiras, controlar rotas clandestinas, fiscalizar rios, combater atividades ilegais e impedir que organizações criminosas ocupem espaços onde o poder público se mostra ausente.
A Amazônia talvez seja o exemplo mais evidente dessa realidade. Com milhares de quilômetros de fronteiras terrestres e fluviais, a região se transformou há décadas em corredor para tráfico de drogas, armas, ouro ilegal, contrabando, lavagem de dinheiro e crimes ambientais. Em muitos desses locais, a presença do Estado é episódica. Já a presença das organizações criminosas costuma ser permanente.
É justamente por isso que o debate não deveria se limitar à comparação entre gastos militares e ajuste fiscal.
A pergunta central é outra: qual o custo de não ocupar essas áreas? Quando operações de vigilância são suspensas, quem ganha espaço não é a floresta, nem a população local e muito menos a legalidade. O vazio costuma ser rapidamente preenchido por quem possui recursos, logística e interesse econômico na atividade criminosa.
O Brasil tem razão ao rejeitar qualquer tentativa externa de tutelar suas decisões, mas também precisa reconhecer que a soberania não é apenas um conceito jurídico. É uma prática diária, construída com presença institucional, inteligência, fiscalização e capacidade operacional.
Do contrário, corre-se o risco de defender com vigor uma soberania que, em partes importantes do território nacional, outros já exercem na prática. E a Amazônia conhece essa história melhor do que ninguém.

•Pré-candidato à Presidência da República em 2026, Flávio Bolsonaro (foto) estará no Pará nesta quinta-feira, 11, para cumprir agendas políticas em Altamira e Belém.
•A agenda começa em Altamira, onde Flávio desembarca às 9h30 para um encontro político com lideranças da região do Xingu. Em seguida, virá a Belém e participa de um ato político reunindo apoiadores e representantes do PL de diversas regiões do estado.
•O IBGE divulgou dados do Censo 2022 dentro da Pesquisa Urbanística do Entorno dos Domicílios sobre a arborização no Brasil e mostra que o Mato Grosso do Sul se destaca com o maior percentual de domicílios com arborização no entorno, atingindo 92,49%, enquanto Sergipe apresenta a menor proporção, com 38,71%.
•A média do Brasil como um todo é de 66,56% e o Pará apresenta 52,09% de domicílios com árvores no entorno.
•Na segunda-feira, 8, pacientes que aguardavam procedimentos cirúrgicos no Hospital da Ordem Terceira, em Belém, denunciaram o cancelamento de cirurgias, devido à paralisação de médicos anestesistas.
•Segundo denúncias, a paralisação estaria relacionada a atrasos nos pagamentos da Prefeitura de Belém aos profissionais da saúde.
•Uma das pacientes já estava preparada, com soro no braço, quando recebeu a notícia. Outra paciente disse ter saído às 2h, de Mosqueiro, apenas para realizar o procedimento.
•Uma tecnologia vem sendo capaz de “enxergar” através da copa das árvores uma Amazônia ainda mais complexa, marcada por milhares de anos de ocupação humana e por extensas obras construídas por povos ancestrais.
•A máquina responsável por essa nova revolução arqueológica é o Lidar, sigla para Light Detection and Ranging, que utiliza milhares de pulsos de laser disparados a partir de aeronaves ou drones para criar mapas tridimensionais extremamente detalhados da paisagem.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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