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Dependência em diesel: a conta da corrupção chegou para os brasileiros

Mesmo autossuficiente na extração de petróleo, o País segue dependente do diesel importado por não ter criado estrutura para o refino do tipo específico

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  • José Croelhas | Especial para a COD
  • 05/04/26 10:00
Dependência em diesel: a conta da corrupção chegou para os brasileiros

A guerra entre EUA e Iran virou "culpada", mas acabou trazendo à reflexão um nervo crítico que muitos brasileiros talvez não conheçam, sobre o real motivo da dependência nacional do diesel importado. 


O enredo desenrola-se mais ou menos como se fôssemos donos do maior laranjal do planeta, mas não tivéssemos fábricas aptas a produzir o suco específico que o mercado interno consome todos os dias.


O gargalo-chave é técnico e histórico, haja vista que as refinarias brasileiras - 15 ao todo -, foram construídas entre 1954 e 1999, quando o País importava petróleo leve do Oriente Médio.


Segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV/2022) a Petrobras investiu nelas U$24,7 bilhões para alcançar a capacidade de processar 2 milhões de barris/dia de petróleo.


Mas veio a magnífica descoberta do pré-sal e o Brasil passou a produzir bastante petróleo leve, de altíssima qualidade, incompatível com o parque de refino que fora projetado para processar apenas óleo pesado.


A solução foi misturar ("blend") o petróleo nacional com tipos importados, otimizando o processo e evitando "desperdiçar" petróleo leve (de maior valor) para produzir derivados como o diesel. 


Entre 2003 e 2015, a era PT, o governo brasileiro aplicou U$100 bilhões em supostas políticas de modernização e ampliação dessa capacidade de refino, justamente para eliminar a incômoda dependência do diesel estrangeiro.


Em 2005, por exemplo, concebeu-se a construção da refinaria Abreu e Lima, em Ipojucã/PE, a um custo inicial de U$2,3 bilhões, que só em 2014 chegaria concluir 64% das obras, mas a um custo (superfaturado, segundo o Tribunal de Contas da União) de U$20,1 bilhões, 10 vezes mais que o previsto.


Aliás, o lançamento do projeto contou com a presença do ditador venezuelano Hugo Chaves, que aplicou golpe bilionário no Brasil ao não aplicar nenhum centavo do montante que prometeu investir. Talvez por isso, o segundo trem de refino dessa planta jamais saiu do papel.


O governo petista também anunciou com pompa a refinaria do Complexo Coperj, em Itaboraí/RJ, ao custo inicial de U$6,5 bilhões, construção que seria interrompida em 2014 depois de torrar U$14,1 bilhões sem nunca ter refinado um único barril de petróleo.


Só nesses dois projetos foram U$34,1 bilhões (ou R$173,3 bilhões) jogados no lixo pelos atuais governantes deste País.


Ou seja, em 40 anos a Petrobras gastou R$20 bilhões para construir a capacidade de refinar 2 milhões de barris/dia. Na era PT, segundo dados da FundaçãoGetúlioVargas, os "investimentos" de Lula/Dilma chegaram a U$100 bilhões, mas agregaram apenas 400 mil barris/dia em capacidade de refino.


Então, será que a culpa pela disparada no preço dos combustíveis no Brasil é mesmo dos aiatolás, de Trump ou dos donos de postos? Fique meu querido leitor à vontade para responder.


Foto: Agência Brasil

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.