Suspeita de possível desvio de função e favorecimento pessoal no Sape; unidade enfrenta, segundo profissionais, falta de técnicos para atendimento especializado.
Coluna Olavo Dutra recebeu e publica denúncia sobre um possível desvio de função que, segundo profissionais da própria unidade, estaria ocorrendo no Serviço de Assistência à Pessoa Estomizada (Sape) da URE Presidente Vargas, no centro de Belém, unidade vinculada à Secretaria de Estado de Saúde do Pará (Sespa).

A denúncia sustenta que não haveria, no caso, restrição
médica ou laudo de readaptação expedido pela Perícia Médica do Estado que
justificasse a mudança de atribuições. Ainda de acordo com os profissionais,
Wanessa permanece de segunda a sexta-feira, das 9h às 15h, no setor
administrativo, enquanto a assistência direta aos pacientes continua
enfrentando déficit de técnicos de enfermagem.
O cenário, segundo os denunciantes, vem provocando
desconforto entre integrantes da equipe e levantando questionamentos sobre os
critérios utilizados para a distribuição das funções dentro do serviço.
A técnica de enfermagem está subordinada à enfermeira
Cleyciane de Kácia Pantoja de Miranda Lima, que exerce a chefia do Sape em
cargo de DAS. Segundo a denúncia, caberia à chefia conhecimento sobre a
situação e participação na manutenção da servidora em atividade administrativa.
Os profissionais ouvidos pela coluna afirmam ainda que a
permanência da técnica fora da assistência direta representaria favorecimento
pessoal e poderia contrariar princípios que regem a administração pública.
Também questionam se a situação estaria de acordo com as normas que disciplinam
o exercício profissional da enfermagem e o dimensionamento das equipes.
A denúncia, entretanto, é de responsabilidade dos
profissionais que a apresentaram e não representa, por si só, conclusão
administrativa ou disciplinar sobre a conduta das servidoras citadas.
O ponto considerado mais grave pelos denunciantes é o
impacto da situação sobre a assistência. Enquanto uma técnica de enfermagem
estaria desempenhando atividades administrativas, afirmam os profissionais, o
setor destinado ao atendimento de pessoas estomizadas permanece com déficit de
mão de obra.
Segundo os relatos recebidos pela coluna, a consequência
seria a sobrecarga dos demais técnicos e a necessidade de trabalhar com uma
escala considerada insuficiente para a demanda do serviço. Os denunciantes
relacionam a situação à legislação que regulamenta o exercício da enfermagem,
especialmente à Lei nº 7.498/1986, além das normas do Conselho Federal de
Enfermagem relativas ao dimensionamento de pessoal.
O caso chegou formalmente ao Conselho Regional de Enfermagem
do Pará (Coren-PA). De acordo com os documentos e informações encaminhados à
coluna, a denúncia recebeu o Protocolo 1789554109159164444330.
Segundo os profissionais, após o recebimento da reclamação,
o Coren orientou os denunciantes a procurar a Ouvidoria da Sespa para dar
continuidade à apuração administrativa. Os profissionais afirmam que também
buscaram a estrutura da Secretaria, mas alegam que não houve providência
efetiva para solucionar a situação.
A coluna não encontrou, até a publicação, manifestação
pública da Sespa sobre eventual procedimento administrativo instaurado a partir
da denúncia. Também não há, no material recebido, decisão definitiva de órgão
de controle ou conselho profissional que reconheça a ocorrência de desvio de
função ou favorecimento.
A iniciativa de formalizar a denúncia, segundo os
profissionais, ocorreu depois de tentativas de solução interna para que a
servidora fosse reconduzida às atividades de enfermagem. Eles afirmam que a
intenção também é impedir que situações semelhantes sejam reproduzidas em
outros setores da URE Presidente Vargas.
A coluna procurou a enfermeira Cleyciane de Kácia Pantoja de
Miranda Lima para que pudesse apresentar sua versão sobre a denúncia e
esclarecer os critérios utilizados para a distribuição das funções no Sape. Até
o fechamento desta matéria, não houve retorno. A coluna também mantém aberto o
espaço para manifestação da servidora Wanessa Viana Jurema Rodrigues e da Sespa
sobre os fatos relatados pelos denunciantes.

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Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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