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Apelação

Defesa de Zambelli entra com recurso na Justiça da Itália para tentar reverter a extradição

Decisão final sobre o assunto é de responsabilidade do governo italiano, por meio do Ministério da Justiça

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  • Da Redação | Estadão conteúdo
  • 10/04/26 22:00
Defesa de Zambelli entra com recurso na Justiça da Itália para tentar reverter a extradição

Brasília, SP - A defesa da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) entrou com um recurso nesta sexta-feira, 10, para tentar reverter a decisão da Justiça italiana que autorizou a extradição para Brasil. A informação foi confirmada ao Estadão pelo advogado Fábio Pagnozzi, responsável pela defesa da parlamentar.


Zambelli foi condenada em dois processos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e está presa no exterior desde julho de 2025. O julgamento na Corte de Apelação de Roma foi concluído em fevereiro e a decisão foi comunicada no dia 26 de março.


O julgamento na Corte de Apelação de Roma foi concluído em fevereiro. Agora o recurso será analisado e a decisão final é de responsabilidade do governo italiano, por meio do Ministério da Justiça.


Como a defesa recorreu à Corte de Cassação do país, o recurso pode ser negado pelo tribunal, e o processo pode ser encerrado em quatro a seis meses, conforme explica o professor especialista em direito internacional da UFSC Arno Dal Ri Júnior


No entanto, o professor diz que, caso a Corte entenda que o recurso faz sentido, o mérito volta a ser analisado e o processo de extradição pode se estender por até dois anos.


A decisão final cabe ao ministro da Justiça italiano, Carlo Nordio. Nessa etapa, a administrativa, critérios políticos poderão ser inseridos na avaliação do caso, de acordo com o professor da UnB, Vladimir Aras.


Se Nordio decidir pela extradição da ex-deputada, Zambelli ainda poderá acionar a justiça administrativa italiana, no Tribunal Administrativo Regional (TAR) do Lazio. Se perder, ainda vai poder recorrer ao Conselho de Estado. Como última medida, a ex-deputada poderá requerer proteção à Corte Europeia de Direitos Humanos, em Estrasburgo, onde, segundo Aras, é pouco provável que tenha êxito.


Se ao final do processo, a extradição for confirmada, a Justiça italiana comunica a embaixada brasileira em Roma e a polícia do país vai entregar Zambelli à Organização Internacional de Polícia Criminal, a Interpol, que vai colocá-la em um voo para o Brasil, acompanhada dos agentes criminais.


Segundo Arno Dal Ri Júnior, se a extradição for mantida, ela deve vir algemada e acompanhada de dois agentes da Interpol até o Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, ou o Galeão, no Rio de Janeiro. Na chegada em solo brasileiro, ela será entregue à Polícia Federal e será presa imediatamente. Conforme a decisão da Corte de Apelação, a ex-deputada será encaminhada a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.


Em nota, os advogados Fabio Pagnozzi e Pieremilio Sammarco destacaram que o recurso traz "questionamentos sobre o sistema carcerário brasileiro, críticas à atuação do ministro Alexandre de Moraes e possíveis irregularidades processuais".


"Desde o início, apontamos falhas no processo, tanto na ausência de correspondência do "crime de hackeragem" na legislação italiana quanto na forma como o pedido de extradição foi formalizado", disse o advogado Fábio Pagnozzi.


Relembre as condenações


Zambelli foi condenada a dez anos de prisão por invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica, em conluio com o hacker Walter Delgatti Neto. Ele afirmou ter sido contratado por ela para inserir documentos falsos no sistema do CNJ, incluindo um falso mandado de prisão contra o ministro do STF Alexandre de Moraes.


Após essa condenação, Zambelli deixou o País e acabou presa na Itália em operação conjunta da Polícia Federal com autoridades locais.


A ex-deputada também foi condenada pelo STF a cinco anos e três meses de prisão, por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo.


Foto: Divulgação

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.