Brigas, traições, ofensas, omissões e preferências sugerem que a extrema direita no Pará está tão dividia quanto sedenta pelo poder
Belém, PA - Dos muitos vídeos que circulam nas redes sociais, um não deixa dúvida quanto à preferência do candidato ao governo do Estado, Daniel Santos, do Podemos, ao Senado Federal. Nos discursos que tem realizado pelo interior do Estado, o ex-prefeito de Ananindeua pede abertamente votos para Zequinha Marinho, do mesmo partido, candidato à reeleição para um cargo que já ocupa.
A escolha é uma resposta à atitude de Éder Mauro, também candidato ao Senado, que omitiu o número de Daniel Santos do material que leva o nome do atual deputado federal do PL pelas ruas e em bandeiradas pelas esquinas da capital paraense. O caso foi denunciado nas redes sociais pelo ex-deputado federal Vlad Costa, que ironizou o fato alegando a gafe a um possível “amadorismo" dos marqueteiros de Éder Mauro.
Divisões silenciosas
Éder Mauro calado estava e mudo permaneceu sobre as críticas que recebeu em relação ao seu material. Assim como Dr. Daniel seguiu com o discurso que prioriza, nos comícios e reuniões, pedidos de voto a Zequinha Marinho para uma das vagas ao Senado - já que as pesquisas mostram a ampla preferência do eleitorado pelo ex-governador Helder Barbalho, do MDB, que busca uma vaga ao mesmo cargo.
Em Santarém, a ausência de JK do Povão, candidato do PL a uma vaga na Assembleia Legislativa, na carreata de Daniel Santos mostrou que priorizar o santareno em detrimento a Zezinho Lima, vereador de Belém que foi excluído da lista de candidatos do PL, não foi uma escolha que mostrasse alinhamento com o ex-prefeito de Ananindeua.
Zezinho Lima teve graves problemas com Éder Mauro. Ele garante que entregou à Polícia Federal provas claras de que o deputado federal do PL desviou recursos oriundos de emendas parlamentares. Éder Mauro, que tem feito de tudo para apresentar a linha “gente boa e cabeça fria”, mandou, segundo o próprio Zezinho Lima, que seu caseiro processasse o vereador para não ter seu nome envolvido em mais polêmicas neste momento pré-eleição.
Pulando do barco
Outro que se sentiu traído foi o senador Zequinha Marinho, que foi surpreendido, nas redes sociais, com uma declaração pública de seu segundo suplente, o pastor Fenelon Lima Sobrinho, líder da Assembleia de Deus em Parauapebas, apoiando a chapa composta por Hana Ghassan e Helder barbalho.
Zequinha afirmou ter sido surpreendido pelo anúncio público de apoio aos adversários e considerou que a mudança de posicionamento rompeu o compromisso político estabelecido na composição da chapa. O senador divulgou uma nota afirmando, entre outras coisas, “ que adotaria as medidas necessárias para formalizar a substituição (do nome do pastor) junto à Justiça Eleitoral”.
O enredo dessa novela é até provável no ambiente político, mas a divisão de discursos e as múltiplas escolhas individuais traçadas pela extrema direita no Pará pode ser a pedra no caminho do grupo. Aparentemente, todos estariam voltados para o mesmo objetivo, mas a realidade mostra que, até o dia 4 de outubro, é cada um por si e Deus por todos.
Foto: Divulgação
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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