Lula representará o Brasil em reunião sem Trump, que acusa anfitriã de 'genocídio contra brancos’; Milei também é desfalque em encontro
São Paulo, SP - A 20ª cúpula dos chefes de Estado e governo das 19 principais economias do mundo, mais a União Europeia e a União Africana, começa neste sábado (22) sem a maior economia do mundo.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escolheu boicotar a reunião do G20 por desentendimentos com a anfitriã África do Sul - o republicano acusa o governo de Cyril Ramaphosa de cometer um "genocídio contra brancos", mas o líder sul-africano ainda tinha esperança de uma confirmação de última hora do americano.
Este é o segundo encontro de alto nível nos últimos meses para o qual o governo Trump não envia representantes - por questionar a necessidade do combate às mudanças climáticas, os EUA também estão ausentes na COP30, em Belém, apesar da presença de políticos do Partido Democrata.
O boicote de Trump acontece no pior momento para as relações entre Washington e Pretória em décadas. Após pressão de figuras como o bilionário Elon Musk, nascido na África do Sul, Trump passou a acusar o país de perseguir sua minoria branca com uma nova lei de reforma agrária que prevê desapropriar terras a fim de diminuir a desigualdade - brancos sul-africanos são apenas 7% da população, mas possuem 72% das terras agrícolas do país.
A acusação infundada de "genocídio branco" foi feita por Trump também durante um encontro com Ramaphosa no Salão Oval da Casa Branca em maio. Na ocasião, o americano mandou apagar as luzes para mostrar um vídeo que supostamente confirmaria as acusações, mas que na verdade era composto por imagens fora de contexto ou sem relação com a África do Sul.
Também pesam na crise entre os países o corte de ajuda externa americana com o desmantelamento da Usaid - Pretória era um dos principais recipientes da ajuda humanitária, principalmente no contexto de programas contra o HIV - e o processo movido pela África do Sul na Corte Internacional de Justiça contra Israel, um dos maiores aliados dos EUA.
Na quarta (19), quando questionado sobre o boicote de Trump, Ramaphosa disse que quem perdiam eram os EUA. "[Os americanos] precisam pensar se um boicote, na política, costuma funcionar. Minha experiência diz o contrário", afirmou o presidente.
A oposição americana costuma pontuar que, ao não participar de eventos como esses, a Casa Branca dá mais espaço para que a influência da China cresça na América Latina e na África. Pequim enviará a Joanesburgo o premiê Li Qiang, o número dois de Xi Jinping.
O presidente da Argentina, Javier Milei, vem conduzindo uma política externa alinhada a Trump e também faltará, enviando em seu lugar o chanceler Pablo Quirno. Tampouco estarão presentes os presidentes do México, Claudia Sheinbaum, e da Rússia, Vladimir Putin - que tem contra si um mandado de prisão em aberto do Tribunal Penal Internacional, do qual a África do Sul é signatária.
Todos os outros 14 países serão representados por seus líderes máximos, incluindo o Brasil - o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), anfitrião da cúpula do ano passado, no Rio de Janeiro, chega a Joanesburgo nesta sexta (21). Estarão presentes figuras como o francês Emmanuel Macron, o britânico Keir Starmer, o alemão Friedrich Merz, o indiano Narendra Modi, a italiana Giorgia Meloni, o turco Recep Erdogan e a japonesa Sanae Takaichi.
A recém-empossada primeira-ministra do Japão chega à cúpula na crise mais grave com Pequim em décadas. O incidente diplomático começou quando Takaichi disse que Tóquio poderá intervir caso a China invada Taiwan, a ilha autônoma cuja soberania é objeto de disputa. Para Pequim, a China continental e Taiwan são duas partes de uma só China.
Segundo Takaichi, na hipótese de um ataque chinês contra navios americanos que tentassem furar um eventual bloqueio a Taiwan, o Japão seria obrigado a entrar no confronto do lado de Washington, principal aliado diplomático de Tóquio.
A fala da primeira-ministra é uma interpretação expansiva da Constituição japonesa. Escrita principalmente pelos EUA após a derrota do Império Japonês na Segunda Guerra Mundial, a Carta diz em seu artigo 9º que "o povo japonês renuncia, para sempre, à guerra como direito da nação e à ameaça ou uso da força como meio de resolver disputas internacionais".
Apesar do pacifismo explícito do seu sistema constitucional, o país possui uma das Forças Armadas mais bem equipadas do mundo, as chamadas Forças de Autodefesa do Japão, e sucessivos governos japoneses já flertaram com a ideia de flexibilizar ou abolir o artigo 9º.
A China reagiu rapidamente, condenando as falas de Takaichi e emitindo um aviso desaconselhando viagens de seus cidadãos ao Japão. O Ministério de Relações Exteriores chinês disse ainda que um encontro bilateral entre Takaichi e o premiê Li Qiang às margens da cúpula em Joanesburgo não deve acontecer, sinalizando o ponto baixo das relações sino-japonesas.
Apesar das ausências e tensões, os países-membros do grupo devem se debruçar durante o encontro sobre algumas prioridades elencadas pela África do Sul. O governo anfitrião espera discutir uma reforma no sistema global de dívidas a fim de apoiar o crescimento econômico de países em desenvolvimento, entre outros temas.
Ainda assim, o provável boicote dos EUA deve limitar o alcance de qualquer entendimento e declaração conjunta divulgada ao fim do encontro. Trump, entretanto, terá mais dificuldade de repetir a medida no ano que vem: a 21ª cúpula do G20 está marcada para dezembro de 2026 no hotel Trump National Doral Miami, na Flórida.
Foto: Reuters
(Com a Folha)
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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