Brasil cai pela quinta vez seguida para um time europeu no Mundial e escancara a superioridade de uma escola sobre a outra
Brasil está fora da Copa do Mundo de 2026 e, mais uma vez, caiu para um time europeu: em 2006, foi eliminado pela França; em 2010, pela Holanda; em 2014, o humilhante 7 a 1 para a Alemanha; em 2018, saiu para a Bélgica; em 2022, foi a vez de passar vergonha para a Croácia; e agora, em 2026, tivemos como algoz a nem tão forte assim, Noruega.
Por que será que o Brasil não vence mais os europeus em mundiais? Para tentar resolver a situação, a CBF foi na raiz do problema. Contratou o italiano Carlo Ancelotti, multicampeão com o Real Madrid e que vem do centro do coração futebolístico da Europa. Carrega consigo o suprassumo do futebol mundial. Mas não resolveu.
Nas poucas palavras que proferiu depois da derrota para a Noruega, Ancelotti foi filosófico. “Às vezes, uma derrota é o início de um ciclo vitorioso”. A tranquilidade do treinador após o fracasso pode ser explicada, em parte, num fato que antecedeu o Mundial. Antes mesmo do início da Copa, Ancelotti teve seu contrato renovado até 2030, numa demonstração clara - ou intrínseca - de que não esperava muita coisa da atual seleção.

Quanto a dizer que “o Brasil merecia vencer a Noruega pelo que produziu” já soa mais a tentar justificar o injustificável. O Brasil foi incompetente nas oportunidades que teve - e foram muitas. O pênalti perdido por Magalhães e o gol desperdiçado por Endrick não são razões para se lamentar um suposto azar em campo, e sim escancarar uma inabilidade explicita que justifica a eliminação. Ou seja, o problema não é o fim do sonho, mas a forma como ele acaba.
O Brasil amanheceu a segunda-feira com a obrigação de administrar a tristeza de uma derrota dura, dolorida e que levará um tempo para cicatrizar. Não porque isso importe mais dos que os problemas políticos e sociais que possui o Brasil, mas pelo que representa o futebol para a cultura de um País que, historicamente, tem no futebol a força motriz de uma alegria única e insubstituível.
O Brasil volta a campo ainda este ano. Vai enfrentar a Austrália duas vezes, em novembro, ambas em cidades australianas. Resta saber se, até lá, o brasileiro seguirá de costas nas arquibancadas ou se atenderá ao conselho de Haaland, algoz do time brasileiro neste domingo, que pediu ao povo do Brasil que “siga acreditando em sua seleção”. Cenas de um futuro que já está na porta.
• 72 jogos - apenas a primeira fase do atual mundial já teve mais jogos do que qualquer outra edição inteira.
• 215 gols - também só na primeira fase, o número de gols já foi superado. Em toda a Copa do Catar, haviam sido marcados 172.
• 5 milhões - foi a quantidade de espectadores registrada na fase de grupos do atual Mundial.
• 8 jogos consecutivos - numa marca que começou na Copa passada, Lionel Messi está a 8 partidas ininterruptas marcando gols em Mundiais. Um novo recorde.
• 6 Copas - Cristiano Rolando estabeleceu uma marca ainda mais incrível. É o único jogador da história a marcar gols em 6 Mundiais diferentes: 2006, 2010, 2014, 2018, 2022 e 2026.
• 519 minutos - o goleiro espanhol Unai Simón estabeleceu um novo recorde sem sofrer gols: 519 minutos consecutivos. A marca antiga era do italiano Walter Zenga, do Mundial; de 1990, que tinha dois minutos a menos.
• 3 países - Contra a Suíça em Vancouver, no Canadá, pelas oitavas de final, a Colômbia se tornará a primeira seleção do mundo a jogar em 3 países diferentes numa mesma edição de Copa do Mundo. O time já teve jogos em Miami e na Cidade do México.
• 5 anos - foi quanto durou o tabu norte-americano contra seleções europeias. A marca foi quebraba na vitória contra a Bósnia. Eram 10 jogos sem vencer um time europeu.
• 1 telefonema - foi o suficiente para a Fifa baixar as calças para Donal Trump e anular a suspensão do atacante Balogun, da seleção americana. Uma vergonha para o futebol.
• 13 viradas - a Copa de 2026 já tem o maior número de vitória de viradas e de gols contra: foram 13 até aqui, nos dois casos.
Foto: Divulgação
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Pedro Paulo Blanco é jornalista
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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