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Indústria do aço

Cade aprova sem restrições venda da CBA para Chinalco e Rio Tinto

Um dos projetos prevê investimentos na ordem de R$ 2 bilhões para implantação de um projeto de extração de bauxita em Rondon do Pará

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  • Da Redação
  • 14/03/26 20:00
Cade aprova sem restrições venda da CBA para Chinalco e Rio Tinto

São Paulo, SP - A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou em tempo recorde e sem restrições, a venda de participação majoritária da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) para uma  joint venture formada pela chinesa Chalco (subsidiária da Chinalco) e pela anglo-australiana Rio Tinto.


Na transação, a CBA vendeu 68,6% de suas ações, ao preço de R$ 10,50 por ação, totalizando R$ 4,7 bilhões. A joint venture que fez a aquisição é controlada majoritariamente pela Chinalco, com 67%, enquanto a Rio Tinto possui 33%.


Em função da aprovação, as empresas têm o prazo de 15 dias para realizarem uma OPA (Oferta Pública de Aquisição) para os acionistas minoritários da CBA. Estima-se que esta etapa custe para a joint venture mais R$ 2,1 bilhões. Depois disso, os novos controladores pretendem cancelar o registro da CBA como companhia aberta na B3. A expectativa é que o preço de aquisição das ações dos minoritários fique em torno de R$ 10,50 por ação, que foi o valor pago pela participação majoritária.


O fechamento definitivo do negócio, no entanto, ainda depende da aprovação de outros órgãos, como as autoridades antitruste em outros países (como China, Alemanha, Coreia do Sul e Uruguai) e aval de organismos regulatórios brasileiros, como Aneel e CCEE, já que a CBA é um importante gerador de energia no Brasil.


Com a aquisição da CBA, maior produtora de alumínio da América Latina, a Chinalco e a Rio Tinto assumem o controle de ativos formados por: unidades de produção de bauxita em Miraí, Itamarati de Minas e Poços de Caldas, em Minas Gerais; uma unidade de produção de bauxita em Barro Alto (GO); fábrica integrada de alumínio primário em Alumínio (SP); unidade de produção de chapas e folhas de alumínio em Itapissuma (PE); planta para reciclagem de alumínio e produção de tarugos (Metalex) em Araçariguama (SP); unidade para produção de ligas de alumínio secundário (Alux) em Nova Odessa (SP); 21 usinas hidrelétricas em vários estados e participação em parques eólicos.


Além disso, a CBA possui o Projeto Rondon, uma jazida de bauxita de classe mundial no estado do Pará, com reservas estimadas em mais de 1 bilhão de toneladas. A empresa tinha um projeto que visava a produção de 18 milhões t/ano de bauxita e 3 milhões de toneladas de alumina. O investimento estimado para implantação do projeto Rondon é da ordem de R$ 2 bilhões. Também faz parte do portfólio da CBA uma mina e usina de níquel, em Niquelândia (GO), que está paralisada há vários anos.


A venda marca a saída da família Ermírio de Moraes de um setor histórico para o grupo. A CBA foi fundada em 1955, pelo empresário Antônio Ermírio de Moraes, que enfrentou muitas dificuldades para viabilizar seu projeto de alumínio no País.


Mas a transação faz parte da estratégia adotada pela holding Votorantim de sair dos negócios intensivos em capital e sujeitos aos ciclos que caracterizam o setor de commodities. O grupo já havia se desfeito dos negócios de siderurgia (vendidos para a ArcelorMittal), de papel e celulose (venda da Fíbria para a Suzano) e de suco de laranja (venda de participação da Citrosuco para um fundo de pensão canadense).


Também foi vendida, há alguns anos, a unidade de metalurgia de níquel, em São Miguel Paulista (SP), que estava paralisada há alguns anos. A Votorantim ainda mantém participação no segmento de metais, no caso o zinco, através da Nexa Resources, uma empresa internacional, listada em bolsas no exterior, com sede em Luxemburgo e ativos no Brasil e Peru, principalmente. Será que a venda da participação na Nexa é o próximo passo? 


Foto: Divulgação

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.