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"CIDADE-ESPONJA"

Belém aposta no novo para tentar enfrentar o velho drama das chuvas e alagamentos

Jardins de chuva chegam à capital como promessa de drenagem inteligente; desafio agora é sair do papel

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  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 26/02/26 08:25
Belém aposta no novo para tentar enfrentar o velho drama das chuvas e alagamentos
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elém decidiu, enfim, olhar para a água com inteligência. Na semana passada, a prefeitura anunciou a implantação dos chamados “jardins de chuva”, estruturas urbanas voltadas à absorção e retenção de águas pluviais. A iniciativa é coordenada pela Secretaria de Meio Ambiente e integra um projeto multiinstitucional que envolve ainda a Secretaria de Zeladoria e Conservação Urbana, Secretaria de Obras e Infraestrutura e a Secretaria de Estado de Obras Públicas.

 

Pacote completo: projeto prevê criar canteiros pluviais, bacias de retenção e infiltração em áreas com pouco espaço, mas alagáveis/Fotos: Divulgação.

A capital paraense precisava disso há décadas - especialmente no chamado inverno amazônico, quando ruas viram canais improvisados e a mobilidade entra em colapso.

Como deve funcionar

Os jardins de chuva são áreas verdes instaladas em pontos antes impermeabilizados, como calçadas e trechos de vias. Os canteiros recebem camadas de seixos, areia, terra e vegetação específica. Ao chover, a água não corre direto para as bocas de lobo: ela infiltra gradualmente no solo. O efeito é direto: redução do escoamento superficial, filtragem de sedimentos e poluentes e menor pressão sobre a drenagem convencional.

Em Belém, o projeto vai além dos jardins. Inclui biovaletas, canteiros pluviais, bacias de retenção e infiltração e até poços de infiltração para áreas com pouco espaço. É o pacote completo do conceito de “cidade-esponja”.

Pontos mais críticos

Os primeiros locais anunciados são simbólicos: rua dos Mundurucus com Quintino Bocaiúva; travessa Rui Barbosa com Gentil Bittencourt; Quintino com Conselheiro Furtado; e a Marechal Hermes, ao lado do Porto Futuro. A Marechal Hermes talvez seja o maior teste. Área baixa, influência direta das marés da baía do Guajará e histórico de alagamento ao menor sinal de chuva. Nesta época do ano, basta uma pancada mais forte para ônibus espalharem ondas sobre pedestres. Ali, não basta plantar: exige engenharia fina.

Fonte de inspiração

O conceito de “cidades-esponja” foi sistematizado pelo arquiteto chinês Kongjian Yu, que defendeu parques alagáveis, telhados verdes e pavimentos permeáveis como alternativa ao modelo tradicional de canalização rígida. A ideia é simples: permitir que a cidade retenha temporariamente a água sem perder sua função urbana.

No Brasil, experiências já existem. São Paulo tem centenas de jardins de chuva, inclusive na Vila Madalena e na USP. Curitiba oficializou o modelo. Goiânia transformou a prática em política pública. Belo Horizonte implantou jardins no Parque JK e na região da Lagoa do Nado. Anápolis desenvolve o programa Pró-Água com soluções semelhantes.

Belém chega depois - mas chega em momento decisivo.

O desafio real

A teoria é sólida. As normas técnicas existem. O Guia Prático de Jardins de Chuva e o Catálogo de Soluções Baseadas na Natureza dão respaldo. O problema nunca foi conceitual. Sempre foi de execução e manutenção. Jardim de chuva abandonado vira mato. Bacia sem limpeza vira foco de lixo e obra mal dimensionada vira frustração pública. Se houver planejamento, fiscalização e manutenção permanente, a cidade pode, enfim, dar um passo civilizatório na drenagem urbana. Caso contrário, será apenas mais um anúncio que escorre pelo ralo.

Afinal, Belém não precisa de marketing verde - precisa de solução que funcione quando a chuva cai. E sempre cai.

Papo Reto

Vinícius Jr. (foto) respondeu aos insultos racistas do jogador argentino Prestianni, do Benfica, da melhor maneira possível: marcou o gol da vitória do Real Madrid por 2 a 1 nesta quarta, 25, garantindo o avanço do time merengue e a eliminação da equipe portuguesa na Liga dos Campeões da Europa. 

•Com a implementação do sistema de identificação facial nas catracas do Mangueirão, inaugurado na partida desta quarta, 25, entre Remo x Internacional, espera-se que o sistema ajude numa função que agora não tem como ser negligenciado: proibir o acesso de vândalos e criminosos ao estádio.

A medida atende às exigências da Lei Geral do Esporte, que determina o controle e a fiscalização do acesso do público em arenas com capacidade superior a 20 mil pessoas por meio de reconhecimento facial. 

•A fisiculturista Gracyanne Barbosa se filiou ao Republicanos, com a intenção de disputar uma vaga na Câmara pelo Rio de Janeiro. Segundo ela, a principal bandeira será o esporte.

Itaituba, no sudoeste do Pará, vai ganhar uma nova unidade do Conselho Tutelar. O aumento da demanda e a dificuldade de atendimento nas áreas rurais e garimpeiras justificam a medida. 

•A audiência pública que vai ouvir a sociedade para consolidar a instalação do projeto acontecerá no dia 13 de março.

O Núcleo de Questões Agrárias e Fundiárias do Ministério Público do Pará e o Instituto Internacional de Educação do Brasil promovem a iniciativa “Formar - Florestas de Vida”, que vai capacitar lideranças comunitárias do Marajó.

•A ação integra o termo de cooperação técnica firmado em 2025, que prevê fortalecer o diálogo entre sociedade civil, poder público e o Sistema de Justiça em todo o Estado. 

A capacitação acontecerá nos meses de março, maio e julho em Belém, Portel e Soure, respectivamente.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.