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CONTAMINAÇÃO

Agrotóxicos estão mais nocivos em todo o mundo - com Brasil entre líderes

País segue longe da meta estabelecida pela ONU para redução de riscos dos pesticidas até 2030

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  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 02/03/26 17:00
Agrotóxicos estão mais nocivos em todo o mundo - com Brasil entre líderes
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grau de toxicidade dos pesticidas aumentou em todo o mundo de 2013 e 2019, com o Brasil entre os países líderes. A conclusão está em um estudo publicado este mês na revista Science e contraria a meta de redução de riscos dos pesticidas até 2030, estabelecida na 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP15).

 

Belterra, Santarém e Mojuí dos Campos estão entre os dez maiores produtores de grãos do Estado, mas com intensa contaminação de trabalhadores/Fotos: Divulgação.

Pesquisadores alemães da universidade de Kaiserslautern-Landau avaliaram 625 pesticidas em 201 países. Eles utilizaram o indicador de Toxicidade Total Aplicada, que considera o volume usado e o grau de toxicidade de cada substância.

Pará e suas plantações

No Pará, o uso de agrotóxicos representa sérios riscos à saúde de trabalhadores rurais, comunidades tradicionais e ao meio ambiente, com denúncias recentes de contaminação de água, solo e ar, além da destruição de lavouras familiares por deriva química, sobretudo em cidades como Altamira, Paragominas e Dom Eliseu, com altas áreas cultivadas.

O avanço da fronteira agrícola, o uso de substâncias banidas na Europa e a falta de fiscalização adequada nas vastas regiões paraenses intensificam esses perigos. No oeste do Pará, os municípios de Belterra, Santarém e Mojuí dos Campos já estão entre os dez maiores produtores de soja e milho do Estado, mas o uso intenso de agrotóxicos traz consequências sérias para quem trabalha nas lavouras ou mora no entorno delas.

Nessa região, os casos de contaminação por agrotóxico aumentaram 545% nos últimos cinco anos, segundo o Painel de Vigilância em Saúde das Populações Expostas a Agrotóxicos, do Ministério da Saúde. Foram 200 casos registrados entre 2021 e 2025, ante 31 no quinquênio anterior. Juntos, os três municípios respondem por 10% das intoxicações por esse tipo de substância no Pará.

Para além do homem

Além dos riscos à saúde humana, os agrotóxicos também representam destruição iminentes de seis de oito grupos de espécies essenciais ao bioma: artrópodes terrestres, como insetos, aracnídeos e lacraias, cuja toxicidade aumentou 6,4% ao ano; organismos do solo, com 4,6%; peixes, 4,4%; invertebrados aquáticos, 2,9%; polinizadores, 2,3%, e plantas terrestres, com 1,9% de riscos.

“O aumento das tendências globais de TAT representa um desafio para o alcance da meta de redução de risco de pesticidas da ONU e demonstra a presença de ameaças à biodiversidade em nível global”, diz um dos trechos do estudo.

Brasil como destaque

O Brasil aparece como um dos principais protagonistas desse cenário. O estudo identifica o país como detentor de uma das maiores intensidades de toxicidade por área agrícola em todo o planeta, ao lado de China, Argentina, Estados Unidos e Ucrânia.

Além disso, Brasil, China, Estados Unidos e Índia respondem juntos por 53% a 68% da toxicidade total aplicada no mundo.

A relevância brasileira está diretamente ligada ao peso do agronegócio, especialmente de culturas extensivas. Embora cereais tradicionais e frutas ocupem grandes áreas, a toxicidade associada a culturas como soja, algodão e milho exerce impacto significativamente maior em relação à extensão cultivada.

Tipos de pesticidas

Um dos achados mais relevantes do estudo indica que o problema é altamente concentrado: em média, apenas 20 pesticidas por país respondem por mais de 90% da toxicidade total aplicada.

O levantamento aponta que diferentes classes químicas dominam os impactos. Classes de inseticidas, como piretróides e organofosforados, contribuíram com mais de 80% do TAT de invertebrados aquáticos, peixes e artrópodes terrestres. Neonicotinoides, organofosforados e lactonas representaram mais de 80% do TAT de polinizadores.

Organofosforados, juntamente com outras classes de inseticidas, foram os que mais contribuíram para os TATs de vertebrados terrestres. Herbicidas acetamida e bipiridina contribuíram com mais de 80% para o TAT das plantas aquáticas, enquanto uma mistura mais ampla de herbicidas (incluindo acetamida, sulfonilureia e outros) definiu o TAT das plantas terrestres. Herbicidas de alto volume, como acetochlor, paraquat e glifosato, pertencem a essas classes e têm sido associados a riscos ambientais e à saúde humana.

Fungicidas conazol e benzimidazol, juntamente com os inseticidas neonicotinóides, aplicados no revestimento de sementes, contribuíram principalmente para o TAT dos organismos do solo.

Meta global distante

O estudo também avaliou a trajetória de 65 países. O diagnóstico é de que, sem mudanças estruturais, apenas um país (Chile) atingirá a meta da ONU de redução de 50% da toxicidade dos pesticidas até 2030.

China, Japão e Venezuela estão no caminho para atingir a meta e apresentam tendências de queda em todos os indicadores. Tailândia, Dinamarca, Equador e Guatemala estão se afastando da meta, com pelo menos um indicador dobrado nos últimos 15 anos.

Os demais países do estudo, inclusive o Brasil, precisam retornar os riscos de pesticidas aos níveis de mais de 15 anos atrás. O que significa reverter padrões de uso das substâncias consolidadas há décadas, em termos de volume e toxicidade das misturas.

Os pesquisadores indicam três frentes principais para conter a escalada dos riscos: substituição de pesticidas altamente tóxicos, expansão da agricultura orgânica e adoção de alternativas não químicas. Tecnologias de controle biológico, diversificação agrícola e manejo mais preciso são apontadas como estratégias capazes de reduzir impactos sem comprometer produtividade.

Papo Reto

O Sindicato dos Delegados de Polícia do Pará - leia-se Antônio Benone (foto) -, promete denunciar criminalmente integrantes ou não da categoria que usam o nome da instituição para atacar seus integrantes. É que tem gente divulgando documentos em nome do sindicato. 

•O CarnaBelém, muito fora de época e em plena quaresma, além de ter enfrentado chuvas torrenciais nos dias de desfile do grupo principal, ainda teve a transmissão ao vivo pela TV Cultura interrompida na noite de sábado.

A causa foi queda de energia na estrutura da Aldeia Cabana, local do evento. Internautas relataram que faltou energia não apenas na transmissão, mas também em parte da estrutura de som das escolas que estavam na avenida.  

•A organização teria acionado o gerador para restabelecer o fornecimento de energia e dar continuidade à programação. 

Na noite de sexta-feira, 27, um destaque da Acadêmicos da Pedreira caiu de cima de carro alegórico da escola, causando susto e preocupação a todos.  

•A Henvil Transporte emitiu nota em 20 de fevereiro confirmando a devolução das balsas de transporte para o Marajó ao governo do Pará. 

Depois da oficialização da quebra do monopólio, a empresa divulgou explicações sobre a venda de passagens no processo de transição, cujos boxes continuam em atividade. 

•Os serviços de transportes da Linha Camará passaram à responsabilidade do Estado, e mais duas empresas irão compor o sistema modal na linha.  

Itaú Unibanco, Caixa Econômica, Bradesco, Banco do Brasil e Santander vão arcar com os maiores custos para recompor o Fundo Garantidor de Créditos.

•Acredite, cientistas criaram carne de laboratório a partir de resíduos e levedura de cerveja.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.