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Sustentabilidade

Agricultura familiar: máquina de sachês amplia renda e leva mel para merenda escolar

Experiências anteriores em unidades escolares demonstraram boa aceitação do mel em sachê por alunos(as) e gestores(as), reforçando a viabilidade do modelo

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  • 24/02/26 13:17
Agricultura familiar: máquina de sachês amplia renda e leva mel para merenda escolar

Belém, PA - Pequenos produtores rurais de Dom Eliseu, no sudeste do Pará, estão vivenciando uma transformação na cadeia produtiva do mel, graças aos resultados de um programa com atuação em cinco municípios da região que fortalece cadeias produtivas sustentáveis e amplia o acesso de agricultores familiares ao mercado. 


Em Dom Eliseu, uma das iniciativas foi a doação de uma máquina para envase de mel em sachês a uma cooperativa local, fortalecendo a chamada “Casa do Mel” da Vila Alto Bonito. A tecnologia viabiliza a entrada do produto no mercado institucional, principalmente na merenda escolar da rede municipal.


A produção do mel em sachês responde a desafios práticos do dia a dia das escolas, como segurança alimentar e higiene, reduzindo riscos de contaminação em relação ao uso de baldes e recipientes maiores, além de permitir melhor controle das porções, diminuindo o desperdício e facilitando a logística, já que o produto pode ser distribuído individualmente. Experiências anteriores em unidades escolares demonstraram boa aceitação do mel em sachê por alunos(as) e gestores(as), reforçando a viabilidade do modelo.


A mudança é resultado do trabalho desenvolvido pela parceria da Suzano com a Plataforma Parceiros pela Amazônia (PPA) e Aliança Bioversity & CIAT, por meio do Programa Paricá – Territórios em Ação, iniciativa voltada ao desenvolvimento sustentável, redução da pobreza e inclusão social na Amazônia. 


Na prática, a iniciativa mudou a rotina de trabalho dos(as) apicultores(as) e ampliou seu papel dentro da cadeia do mel. Antes, a produção era vendida majoritariamente a granel, em baldes ou tambores, com preços mais baixos e dependendo de entrepostos e indústrias. Com o processamento local e a venda do produto, a cooperativa passou a atuar de forma mais estratégica no mercado, agregando valor ao produto e acessando novos canais de comercialização, como compras públicas.


O modelo também encurta a cadeia produtiva. Enquanto no sistema tradicional o fluxo passava pelo apicultor, cooperativa, entreposto, indústria e mercado, agora a produção pode seguir diretamente da cooperativa para o consumidor final ou para contratos institucionais. “A nossa cooperativa é formada hoje por 24 cooperados diretos, mas envolve cerca de 50 pessoas no total.  Antes da chegada da máquina de sachês, a gente precisava usar equipamentos de outra agroindústria, o que diminuía bastante o nosso lucro. Hoje conseguimos processar nosso próprio mel, agregar valor ao produto e melhorar significativamente a renda das famílias. O aumento do lucro familiar foi muito importante. Muitas famílias já conseguiram melhorar a renda mensal e ter mais segurança financeira”, afirma Zélia Sousa, presidente da Cooagro, que atualmente produz cerca de 18 toneladas de mel por ano, com meta de chegar a 25 toneladas anuais já em 2026.


O trabalho está alinhado à estratégia do Programa Paricá de fortalecer economias locais sustentáveis, conservar a biodiversidade e promover inclusão social nos territórios amazônicos.  Além de gerar renda, iniciativas ligadas à apicultura fazem parte de um conjunto de ações mais amplas da Suzano voltadas ao desenvolvimento de comunidades, incluindo apoio à infraestrutura de processamento, assistência técnica e fortalecimento da comercialização de produtos da sociobiodiversidade. 


Em Dom Eliseu, o resultado já é perceptível: produtores deixam de ser apenas fornecedores de matéria-prima e passam a ocupar uma posição mais estratégica na cadeia produtiva, com maior autonomia, renda e participação no desenvolvimento econômico local.


“O Programa Paricá representa, na prática, como o desenvolvimento sustentável pode gerar oportunidades reais para as comunidades amazônicas. Em Dom Eliseu, a doação da máquina de envase de mel em sachês vai além de um apoio pontual, ela fortalece a autonomia produtiva dos apicultores, agrega valor ao produto e abre portas para novos mercados, como a merenda escolar. Nosso objetivo é contribuir para que os pequenos produtores deixem de ser apenas fornecedores de matéria-prima e passem a atuar também no processamento e comercialização, gerando mais renda, desenvolvimento local e impacto social positivo. Iniciativas como essa mostram que é possível unir conservação ambiental, inclusão social e desenvolvimento econômico no território”, explica Paulo Guilherme Rocha, coordenador de Sustentabilidade da Suzano. 


Foto: Ascom/Suzano

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.