Analistas atribuem à eleição a politização da Corte, mas os fatos mostram uma crise que começou antes do calendário eleitoral e agora alcança o próprio coração do tribunal
omeçou a aparecer na imprensa nacional uma explicação confortável para o terremoto que sacode o Supremo Tribunal Federal: 2026 é ano eleitoral, a Corte estaria excessivamente politizada e os grupos políticos teriam transformado ministros em protagonistas da disputa pelo poder. Pode ser - o problema é que essa explicação chega tarde.

Muito antes de o calendário eleitoral produzir seus primeiros grandes confrontos, o Supremo já vinha acumulando controvérsias, decisões questionadas, conflitos sobre os limites de atuação dos ministros e uma concentração de poder que, goste-se ou não, passou a alimentar desconfianças sobre a própria Corte. Agora, porém, aconteceu algo diferente.
A crise deixou de ser apenas uma discussão entre o Supremo e seus críticos e entrou na sala dos ministros. Convenhamos, quando um ministro do STF pede ao presidente da Corte que investigue outro ministro, enquanto o presidente determina que ambos prestem esclarecimentos sobre fatos relacionados a uma investigação da Polícia Federal, já não parece suficiente explicar tudo como efeito colateral da eleição.
A divulgação de mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, foi o estopim mais recente. O material trouxe à tona comunicações entre Vorcaro e Alexandre de Moraes e reacendeu questionamentos sobre os contatos do empresário com autoridades. O caso ganhou dimensão ainda maior depois que o ministro André Mendonça retirou o sigilo de parte do material. A partir daí, a crise tomou uma direção inesperada.
Moraes encaminhou a Edson Fachin pedido para que fossem investigadas condutas atribuídas a Mendonça, apontando possíveis crimes de abuso de autoridade, improbidade e crime de responsabilidade. Fachin não ficou apenas olhando.
O presidente do Supremo determinou que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal prestem esclarecimentos sobre as circunstâncias relacionadas aos diálogos e à apuração. O prazo determinado foi de cinco dias.É difícil imaginar sinal mais evidente de que alguma coisa mudou dentro da Corte.
É claro que a proximidade das eleições transformou o episódio em munição política. Flávio Bolsonaro e seus aliados passaram a explorar a crise, enquanto setores ligados ao governo Lula também tentam administrar seus efeitos. Analistas já discutem como o desgaste do Supremo poderá atingir as campanhas presidenciais.
Mas há uma diferença fundamental entre dizer que a eleição politizou a crise e afirmar que a eleição criou a crise. São coisas completamente diferentes.
A eleição pode ter jogado gasolina sobre a fogueira. Não acendeu o fósforo. E talvez seja justamente aí que algumas das análises mais recentes da mídia nacional estejam perdendo o essencial.
A situação ganhou mais uma camada nesta semana. Gilmar Mendes propôs a Fachin que delegados da Polícia Federal deixem de atuar nos gabinetes dos ministros do Supremo. Atualmente, há seis delegados cedidos à Corte, inclusive nos gabinetes de Moraes e Mendonça. A discussão ocorre justamente quando a relação entre ministros, PF e investigações passou a ser uma das áreas mais sensíveis da crise.
Também vieram a público referências ao procurador-geral Paulo Gonet em mensagens relacionadas a Vorcaro, provocando desconforto dentro da própria PGR e discussões sobre eventual afastamento por cautela em procedimentos ligados ao caso. Ou seja: a crise já não tem um único personagem. Ela envolve Supremo, Polícia Federal, Procuradoria-Geral da República e empresários investigados. E, sobretudo, começa a produzir uma pergunta institucional que é muito maior que Alexandre de Moraes: quem fiscaliza quem quando os próprios fiscais passam a fazer parte do problema a ser explicado?
Há algo de familiar nessa história. O Brasil já assistiu a instituições que deveriam funcionar como árbitros no centro do jogo. Já viu poderes que deveriam se controlar mutuamente e estabelecerem relações tão estreitas que o público passou a ter dificuldade para distinguir cooperação institucional de proximidade excessiva.
Seria ingenuidade fingir que o Supremo não está pisando em terreno cada vez mais escorregadio. A prudência que durante muito tempo recomendou silêncio diante de episódios isolados agora precisa ser substituída por outra virtude republicana: a capacidade de perguntar – e perguntar não é condenar, investigar não é perseguir, cobrar explicações não é conspirar e transparência não deveria ser uma concessão de nenhuma instituição pública - muito menos da Suprema Corte.
Talvez a história registre 2026 como o ano em que o conflito político contaminou definitivamente a relação entre o Supremo e a sociedade. Ou talvez registre algo mais incômodo: que a eleição apenas encontrou uma crise institucional que já estava madura.
Porque fatos não nascem em ano eleitoral. Eles apenas podem ser descobertos com mais barulho. E agora, enquanto Brasília discute quem ganha ou perde politicamente com o terremoto, há uma pergunta que permanece acima das campanhas, dos partidos e das torcidas: se está tudo dentro da normalidade, por que o próprio Supremo precisa abrir um procedimento para descobrir o que aconteceu?

•A capacidade de articulação dos irmãos Alcântara volta a ganhar espaço na política paraense. Charles (foto), candidato a deputado federal pelo PT, tornou-se uma das vozes da militância contra decisões da direção estadual, especialmente a estratégia de Beto Faro de levar o PT para o palanque de Celso Sabino ao Senado.
•Charles teria sido procurado para ajudar a reorganizar o Democracia Cristã no Pará, presidido localmente por seus irmãos Alberto e Roberto. Depois de perder o comando estadual para aliados de Daniel Santos, a família Alcântara teria recorrido a Brasília - e recuperado o espaço. Política partidária também tem segunda instância.
•Moradores de condomínios reclamam que a Águas do Pará estaria cobrando até 80% do consumo de água como tarifa de esgoto, mesmo onde a rede ainda não tenha sido implantada. Se for isso mesmo, a conta parece salgada demais. Com a palavra o Ministério Público.
•Fiepa, Codec e a ACTECH avançaram nesta quinta-feira nas tratativas para uma possível fábrica de aluminas especiais no Distrito Industrial de Barcarena. A proposta é transformar aqui parte de uma riqueza que há décadas sai daqui. Se sair do papel, já será alguma coisa além de minério embarcado.
•Agentes da Segbel foram vistos - e aplaudidos - multando carretas estacionadas na ciclovia da Arthur Bernardes. A irregularidade é antiga e a coluna já cobrou providências. Agora é continuar: fiscalização episódica educa pouco. Choque no bolso, talvez.
•Sem maioria própria na Câmara nem no Senado, o governo Lula passou boa parte do mandato obrigado a construir cada votação no varejo. Na reta final, porém, o esforço concentrado rendeu uma sequência de aprovações importantes - da escala 6x1 aos minerais estratégicos, passando pela segurança pública e pela taxação das compras internacionais.
•Entre concessões, negociações e alguma engenharia política, o Planalto termina a rodada fazendo barba, cabelo e bigode.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
ALina Kelian
19 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.
Rlex Kelian
19 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip commodo.
Roboto Alex
21 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.