Joy Colares

Final de ano não será

igual aquele que passou

Divulgação

Presidente do Sindicato dos Lojistas de Belém, o empresário Joy Colares (foto) estima a contratação de trabalhadores menor do que a do ano passado – cerca de 4 mil vagas, apenas – e que não haverá incremento significativo de vendas. O empresário atribui à pandemia do novo coronavírus dificuldades da indústria na reposição de estoques em setores específicos de produção.

  • Quais as perspectivas do comércio lojista e varejista para este final de ano tão atípico?
  • Temos grande expectativa. Com certeza não teremos um incremento de vendas em relação ao ano passado, considerando todos os segmentos. A queda no nível de empregos, a redução da renda da população em geral, principalmente dos autônomos, e a preocupação com o tempo que esta pandemia ainda vai perdurar trazem insegurança ao consumidor.
  • Você acredita no aumento das contratações de pessoal, não só no comércio como dos demais setores, aquecendo a economia e gerando consumo?
  • Sim, mas não em relação ao ano passado e sim ao período da pandemia. Estimamos a contratação de 4 mil postos de trabalho para o varejo a partir da segunda quinzena de outubro, até a primeira de dezembro – menos que as 5,5 mil contratações fechadas ano passado.
  • Os lojistas estão preparados com estoques e pessoal para atender uma demanda reprimida e aquecida, que, aliás, vem surpreendendo alguns economistas?
  • Não, em razão de a indústria estar com falta de matéria-prima e componentes para montagem de seus produtos. Os segmentos de eletroeletrônicos, eletrodomésticos e mobiliários estão com muita dificuldade de reposição de estoques. O alto preço do dólar também está dificultando a reposição desses estoques. Somente o segmento de confecções, que foi o que mais caiu durante a pandemia, tem estoque para o fim do ano.
  • Como você vê essa nova tendência das vendas, o e-comerce, e também a vontade do cliente de não abrir mão de escolher pessoalmente a sua compra? 
  • A pandemia trouxe para o varejo uma quantidade enorme de empresas que não atuavam no e-commerce e também uma quantidade imensa de pessoas que nunca haviam comprado pela internet, por receio ou por falta de habilidade para tal. Não há dúvida de que o varejo físico perdeu e vai continuar perdendo muitas vendas para o comércio eletrônico. Porém, existem produtos, principalmente moda, que a experiência da compra é fundamental e muita gente não abre mão disso. Confecção é um exemplo: como no Brasil a modelagem não é padronizada, o cliente quer provar a roupa para ver se ficou boa em seu corpo.
  • O consumidor está mais exigente? Ele pesquisa preços, conhece os produtos, exige mais do vendedor?
  • Sem dúvida, cada vez mais o cliente se informa antes de adquirir um produto. A televisão e a internet proporcionam um nível de acesso do consumidor ao produto, o que faz com que ele conheça e saiba exatamente o que deseja e quer comprar. O vendedor não pode ser mais simplesmente um atendente; ele tem que conhecer bem as características do seu produto para poder convencer o cliente de que está fazendo uma boa compra.
  • Há muita diferença do comércio de shopping para o comércio de rua?  Eles continuam crescendo iguais, ou os consumidores frequentam os dois?
  • Sim. Os shopping-centers oferecem maior conforto e mais segurança, porém, com preços menos acessíveis. Já o comércio de rua oferece mais variedade e menor custo das mercadorias. O mix de lojas dos shoppings está diminuindo consideravelmente. Hoje, o consumidor encontra uma concentração de lojas das grandes redes varejistas. As pequenas lojas estão diminuindo em razão do custo operacional de ter loja em shopping. Os shopping estão se transformando em centro de entretenimento, mais do que centro de compras. E quanto aos consumidores sim, frequentam os dois espaços, dependendo daquilo que querem e podem comprar.

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