Contratos de diretor de rádio do Grupo RBA com governo do Pará somam mais de R$ 8 milhões

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Dia 12 de setembro, de 2021, 9 horas

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Nem só do R$ 1 milhão contratado dias atrás com a Funtelpa vive o dínamo – perdão -, o DJ Kleber Barros, diretor da Rádio Diário FM, de propriedade da família do governador Helder Barbalho, e dono da empresa Mídia Center Serviços de Produção Musical. Nada mais, nada menos do que R$ 8.239.970,00 são pagos religiosamente ao moço em contratos assinados entre duas empresas de sua propriedade – a Mídia Center Serviços e a I. K. Barros – e o governo do Pará, através das Secretarias de Comunicação, de Cultura e de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda, além da Advocacia-Geral do Estado, Igeprev e Funtelpa. Só para não perder o fio da meada: com o total correspondente à soma desses contratos, a Seaster, que faz a assistência social do governo, poderia pagar auxílio emergencial para mais de 82 mil pessoas em situação de vulnerabilidade.

Uma festa do arromba

Quem se espantou com o contrato de R$ 1.128,000, 00 entre a Mídia Center Serviços de Produção Musical, divulgado aqui na coluna, (https://colunaolavodutra.com.br/mineracao/), vai cair de costas quando botar os valores na ponta de lápis e entender quanto do dinheiro público está sendo direcionado para uma mesma empresa. O beneficiário, amigo do rei, divide com Jader Filho a gestão da empresa de comunicação da família, sendo, ao mesmo tempo, grande fornecedor do governo na execução de serviços que vão de aluguel de telão a filmagens de eventos. Antes, os contratos eram feitos com a I. K. Barros & Cia. Ltda., também de propriedade de Ivaldo Kleber Barros, com a qual foram feitos quatro contratos totalizando R$ 4.569.100,00. Já com a Mídia Center, o DJ tem contratado o total de R$ 3.670.870,00. É uma festa de arromba! 

Tudo posso naquele

As formas de contratação dos serviços de Kleber Barros impressionam: vão desde ata de adesão, até dispensa de licitação – como no caso da AGE, à época comandada pelo controverso Giusepp Mendes que deveria, mas não deu exemplo. Em maio de 2019, ele autorizou a contratação de serviços no valor de R$ 258 mil, sob a justificativa de inelegibilidade de licitação, com o Nº 005/2019. A justificativa por si só é questionável, até porque empresas como a Mídia Center existem às dúzias em Belém. Mas, como todo mundo está careca de saber, Giussepp Mendes gosta de exercitar sua criatividade, tem muita coragem ou encarna o típico personagem que acha que tudo pode.

Amigos para essas coisas

O primeiro contrato da Mídia Center com o Estado foi através da Secult de Úrsula Vidal, não por acaso colega de rádio de Kleber Barros – ele selecionava as músicas do programa que ela apresentava.  Só que, na Secult, Úrsula foi quem selecionou a empresa do colega para um baile para o povo dançar, com o perdão do trocadilho. Em agosto de 2019, os dois assinaram  o contrato de Número 027/2019, no valor de R$ 2.657.600,00. Parece muito? Não. Em 30 de dezembro do mesmo ano foi publicado o primeiro termo aditivo, engordando a grana do contrato em mais R$ 664.400,00. Mais: em julho de 2020, mais um contrato, de Nº 107/2020, no valor de R$ 600.200,00, totalizando, assim, só na operação com a Secult da amiga Úrsula, a bagatela de R$ 3.922.200,00. 

Parsifal presente

Com o primeiro passo dado, a Mídia Center chegou à Secretaria de Comunicação do governo, onde o cavaleiro Parsifal, que se dividia entre o comando da secretaria e a Casa Civil, colocou seu jamegão na autorização para contratação de serviços no valor de R$ 709.100,00 valendo-se da chamada “ata de adesão”. Depois Parsifal seria preso em operação da Polícia Federal e saiu de cena – sem, necessariamente, ter saído do governo, haja vista que sua influência política continua sobrevoado o secretariado, mas isso são outros quinhentos que não entram nesses contratos.

Bateu na trave

Em dezembro de 2019, novamente a AGE dá o ar de sua graça com um novo contrato, à base de “ata de adesão”, dessa vez para contratar serviços de “filmagens de depoimentos” no valor de R$ 450 mil. Em agosto de 2020, esse contrato, de tão estapafúrdio, levou o substituto de Geissepp Mendes na AGE, advogado Rubens Leão, à salutar decisão de rescindir, ou porque percebeu o tamanho do problema, ou simplesmente para não ter que chancelar o erro do antecessor. Afinal, mesmo entre advogados, seguro morreu de velho. 

Lei da compensação

Uma semana depois de ter o contrato reincidido pelo novo gestor da AGE, Giusepp Mendes, já no comando do Igeprev, encontra uma forma de compensar a empresa do diretor e amigo do Jader Filho, o primeiro irmão do governador: mais uma vez usando a tal “ata de adesão”, assinou o contrato Nº 019/2020, no valor de R$ 1.194.150,00 (no detalhe). Em dezembro de 2020, ou seja, quatro meses após iniciar o contato, vem um aditivo de mais R$ 298.520,00: R$ 1,5 milhão para fazer filmagens e locar aparelhos para eventos. 

Moral da história

Fique claro desde já: a coluna não tem nada pessoal contra o DJ Kleber Barros – até gosta das músicas que seleciona. Ele vende o que produz como qualquer empresário. Duro é pensar que, em plena pandemia, quando contratou milhões de reais com a máquina do Estado operando no modo meia boca, centenas de músicos foram obrigados a permanecer em silêncio, nos palcos, nos bares e até nos teatros, muitos deles tendo que enveredar por outros meios para sobreviver em função das restrições sanitárias. Enfim, a coluna torce para que Kleber Barros não tenha problemas na prestação de contas com o Leão.

  • Dias desses, o governador Helder Barbalho postou em suas redes sociais informação segundo a qual avisou ao ministro da Infraestrutura que, se o Planalto não tiver dinheiro para as obras de pavimentação da BR-422, trecho entre Novo Progresso e Tucuruí, o governo banca.
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  • Detalhe: seguidores do governador na região de Tucuruí e alhures aplaudiram a manifestação do chefe do Executivo, entre eles Pádua Andrade (foto), ex-secretário de Transporte do Estado preso pela Polícia Federal.
  • Capricho do destino: o operador e lobista Nicolas André já foi paciente do Hospital Abelardo Santos, em Icoaraci, onde recebeu tratamento contra sífilis.
  • A população deveria ser melhor informada sobre os resultados das espalhafatosas operações policiais contra organizações criminosas. É necessário esclarecer quem foi condenado, quem foi absolvido e o valor recuperado. Isso importa mais do que os 15 minutos de fama sob holofotes.
  • A placa inaugural da Alça Viária, ao lado do posto da Polícia Rodoviária Federal, foi literalmente engolida pelo matagal que cerca as instalações. Bem, a Polícia Rodoviária Estadual não está lá para fazer limpeza.
  • Em linha direta com a coluna, Helenilson Pontes confirma que convidou o ex-governador Simão Jatene a se filiar ao PSD com vistas às eleições de 2022, mas não obteve resposta.
  • As redes sociais, porém, insistem em “promover” reuniões entre Jatene e outros políticos e até “lançar” o ex-governador ao governo. Qualquer semelhança com “apelo”, seja qual for a conotação, não será mera coincidência,
  • A rede de Lojas Oxigênio, que tem filiais no bairro da Pedreira, em Belém, e no Distrito de Icoaraci, área da região metropolitana, não troca em uma loja mercadorias compradas na outra.
  • A orla da Estrada Nova já mostra sinais de abandono. Lixo, capim alto, bancos quebrados e quadras sem manutenção. Mais grave é a falta de segurança: são várias as queixas de furtos em veículos.

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