Ananindeua abusa

das aglomerações

Apesar do recrudescimento dos casos de contaminação pelo novo coronavírus em todo o Estado, em Ananindeua, segundo maior colégio eleitoral do Pará e em plena Região Metropolitana de Belém, as aglomerações de simpatizantes e cabos eleitorais deste ou daquele candidato persistem indiferentes às recomendações sanitárias e aos casos comprovados da doença no próprio município. O candidato a prefeito Dr. Daniel, que é médico, cuja posição nas pesquisas o aponta virtualmente eleito, bem que deveria dar o exemplo, desestimulando  essas reuniões em favor da sua candidatura. Só que não…

Pesos e medidas

Foi-se o tempo em que a Polícia Militar do Pará era considerada órgão de Estado, e não de governo. Do jeito que está, logo, logo as fardas serão substituídas por camisas de candidatos a cargo eletivo. O tenente-coronel Marcelo Ribeiro, por exemplo, é a prova do aparelhamento político da PM. Assumiu publicamente nas redes sociais o apoio ao governador e a um dos candidatos dele à Prefeitura de Belém, José Priante. Imagine se a moda pega – ou se outro membro da corporação exibir preferência contrária.

Podemos sim

Um dos maiores herdeiros do espólio da cultura paraense atende pelo nome de Igor Normando, deputado estadual (foto). O moço “ganhou” a gestão da Fundação Tancredo Neves na virada deste ano e, com tanto poder, acabou fundindo o PHS no sugestivo Podemos. De lá para cá impôs uma gestão à base de aparelhamento e uso da máquina pública como jamais se viu na Fundação – e não há amiga Úrsula que dê jeito: nomeia até corda de violão, especialmente para a sua orquestra, fazendo todo mundo dançar conforme a sua música.

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Maletas “top secret” 

O tempo passa e a sociedade paraense continua sem saber o destino das seis misteriosas maletas de espionagem adquiriras pela Polícia Civil – com dispensa de licitação – pela bagatela de R$ 5 milhões – e ainda por cima com verba destinada à área da Saúde. Também continua sem saber o real emprego do equipamento chamado “Guardião”, adquirido pela Secretaria de Segurança Pública junto à Empresa Dígitro, idem com dispensa de licitação, por cerca de R$ 6,5 milhões. Vá lá que seja: discrição é parte do jogo na espionagem.

Mais do mesmo

Ocorre que, desde sempre, delegados da Polícia Civil e promotores do MP estão ressabiados com essa aquisição da Segup, uma vez que a Polícia Civil possui o mesmo equipamento no Núcleo de Inteligência e pelo fato de ser a Polícia órgão de Polícia Judiciária responsável pelas investigações criminais.  A verdade é que o governo gastou, em plena pandemia da Covid- 19, praticamente R$ 12 milhões em equipamentos duvidosos, enquanto pessoas  morriam por falta de respiradores nos hospitais do Estado.

Gabinete de crise

O Tribunal Regional Eleitoral segue se preparando para dar o apoio necessário às zonas eleitorais que serão responsáveis pela realização das eleições municipais deste ano. Nesta semana, provavelmente, o Tribunal irá montar uma espécie de Gabinete de Crise para tratamento de todas as questões de urgência e emergenciais que surgirem antes, durante e depois da votação, formado por representantes de órgãos parceiros.

No caderninho

Neste ano, o Tribunal Superior Eleitoral deliberou pelo não uso da biometria nas eleições em todo o País, em razão da pandemia do novo coronavírus. No caso do Pará, contudo, o Tribunal Regional Eleitoral concluiu o processo em tempo e a hora em todos os municípios no final do ano passado. Com isso, a biometria não será utilizada, mas os cadernos de votação contarão com a foto dos eleitores que já registaram seus dados biométricos.

Perde por calar

O Instituto Evandro Chagas perdeu grande oportunidade de voltar à mídia com boas notícias e não com denúncias de corrupção. Recentemente, agência de notícias de São Paulo manifestou interesse em reportagem sobre arbovírus, contatou o diretor de área do Instituto e recebeu “não” com resposta, sob a justificativa de que, como é vinculado ao Ministério de Saúde, não estaria autorizado a dar entrevistas. Convenhamos: órgão público censurar informação científica parece coisa da Cochinchina – e talvez nem lá…

Sim e não

O Tribunal de Justiça do Pará dispõe de norma específica sobre o cumprimento de mandados em tempos de pandemia. Uma delas estabelece que o oficial de Justiça “não é obrigado a colher assinatura das pessoas intimadas ou citadas”, bem como o jurisdicionado “não tem obrigado de assinar”. No entanto, magistrados há que determinam – em caixa alta e com todas as letras – que o oficial “é obrigado a colher assinatura”, caso em que todo o procedimento vira de ponta cabeça. Afinal, é o juiz mandando fazer o que nem o Código de Processo Civil ou Criminal obriga. Dá para entender?

Perdas e danos

Para quem se dispõe a levantar gastos “cometidos” por Remo e Paysandu na atual temporada com a contratação de jogadores que levaram as respectivas equipes do nada para lugar nenhum: o Remo contratou 26 jogadores – e continua contratando -, sendo que 30% deles já retornaram às suas cidades de origem sem deixar saudades. O Paysandu está chegando aos 20, com os mesmos 30% de inúteis. A diferença é que o Remo pode considerar que fez investimento, enquanto o Paysandu contabiliza perdas.

  • O celular supostamente clonado do governador do Pará às vésperas da operação da PF que investiga o caso da compra de respiradouros sequer foi submetido à perícia no “Renato Chaves”.
  • O aparelho deveria ter sido encaminhado, a bem das investigações, às áreas de Fonética Forense, responsável por esse tipo de perícia, e de Informática, mas tomou rumo incerto e não sabido.
  • Mostra tua cara: DAS estão sendo pressionados por secretários e dirigentes de órgãos das administrações direta e indireta do Estado a “adesivar-se de Priante”. Ou a pegar o beco.
  • A direção da Unimed Belém levou a melhor na assembleia que discutiu a compra ou não de terreno para a ampliação da sede administrativa: Venceu por 176 votos a 135, ou 55% a favor e 45% contra.
  •  Os depósitos da Justiça Federal no Pará estão entulhados de toneladas de manganês furtadas com exploração ilegal.
  • O produto embarcaria pelo Porto de Barcarena rumo ao mercado chinês. Aqui, será vendido ao bater do martelo pela Justiça Federal.
  • Aviso aos navegantes: ao menos 250 espécies de arbovírus conhecidas na Amazônia, pressionadas pelo desmatamento, podem representar ameaça às populações da região.
  •  Está descartada qualquer possibilidade de a APL fazer novas eleições este ano para preenchimento de quatro vagas. O recrudescimento da pandemia assusta até os imortais.
  •  Como não houve a Feira Pan Amazônica do Livro de 2020, que seria a de número vinte e quatro, em razão da pandemia, a feira do ano que vem será lançada durante evento na Estação das Docas, no início de dezembro.
  • Até acender vela está mais caro. A propósito do Dia de Finados, pesquisa do Dieese aponta que flores e velas sofreram reajustes Que chegam à casa dos 10%.
  • A Praça Batista Campos, a mais charmosa de Belém,  passa por uma reforma tipo meia-boca onde se vê mais tapumes do que propriamente obra.
  •  Alguns coretos receberam apenas pintura, quando deveriam passar por recuperação completa, e o piso do calçadão, em pedras portuguesas, recebe apenas  um tapa-buraco.
  •  Outro espaço que necessita de cuidados urgentes, do telhado às paredes externas, é o Theatro da Paz, talvez o mais importante e emblemático patrimônio cultural do Estado.
  • Para quem ainda não viu, até o momento o TP estampa uma horrenda lona plástica em seu exterior para evita que as chuvas constantes  danifiquem a parte interna.
  • A TAP volta a operar voos Lisboa-Belém, Belém-Lisboa a partir do dia 18 de dezembro depois de um longo, tenebroso e reincidente período de pandemia.
  • A Prefeitura de Belém decidiu vedar, ontem, o acesso aos balneários de Icoaraci, Outeiro e Mosqueiro por conta do avanço da Covid-19 na região metropolitana.
  • O decreto do arrocho estabelece que “praias, balneários e igarapés permanecerão fechados ao público para atividades que gerem aglomeração neste feriadão”.
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Vinícius Freaza

Enem Seriado

Novo caminho aberto
para a universidade

Instituições de ensino superior poderão optar por aderir à nova modalidade, pois o Enem tradicional continuará acontecendo, de modo a coexistir com o novo modelo proposto pelo Inep, segundo Vinicius Freaza  (foto acima), diretor do startup Evolucional.

Um novo caminho foi aberto para que alunos concluintes do Ensino Médio possam ingressar em universidades. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) anunciou que o Sistema de Avaliação da Educação Básica já existente precisará ser reformulado para começar a ser aplicado em 2021. Agora, ele será realizado em todas as etapas escolares e terá caráter censitário, para todos os alunos das redes de ensino público e privada. Na etapa do Ensino Médio, o candidato poderá concorrer a vagas no Ensino Superior com as notas obtidas nos três anos do Saeb, e daí vem o nome “Enem Seriado”. O Enem tradicional continuará acontecendo e, pelo menos por enquanto, coexistirá com o novo formato.

As universidades poderão optar por aderir à nova modalidade e reservar uma quantidade específica de vagas para essa categoria. A iniciativa é uma oportunidade de mostrar de forma mais ampla os atributos individuais dos alunos, levando em consideração que uma prova unificada como o Enem tradicional pode não avaliar muitas aptidões adquiridas pelo estudante durante os anos do Ensino Médio.

O presidente do Inep, Alexandre Lopes, afirmou no início do ano, quando a possibilidade foi anunciada, que o Enem seriado é mais do que apenas uma nova forma de ingresso ao ensino superior. As escolas e professores poderão utilizar a avaliação seriada como parte de sua estratégia pedagógica, pois terão condições de analisar a evolução dos seus resultados e planejar intervenções em intervalos de tempo menores. Além disso, os alunos poderão receber devolutivas individuais anuais, para identificarem seu crescimento e também suas lacunas de aprendizagem, entendendo onde precisam melhorar.

Essa lógica vai muito ao encontro da visão sobre o papel da avaliação que desenvolvida pela Evolucional, startup de educação baseada em dados e evidências. Segundo Vinícius Freaza, sócio-diretor do startup, “criamos simulados alinhados às avaliações oficiais do MEC, que permitem às escolas enxergar a situação da aprendizagem dos alunos em intervalos de tempo mais curtos. A partir dos dados e informações que geramos, é possível que as escolas reavaliem e modifiquem suas estratégias pedagógicas gradativamente, em intervalos de tempo relativamente pequenos durante o ano letivo”.

Freaza explica que na educação brasileira em geral, a cultura da avaliação somativa – utilizada com a função apenas de verificação da aprendizagem após determinado período – se sobrepõe à cultura da avaliação diagnóstica, que é aquela utilizada para entendimento de lacunas e construção de planos de ação e estratégias pedagógicas. Em resumo: primeiramente as aulas são dadas, e, depois de determinado tempo, uma avaliação é aplicada. Ocorre que os resultados dessas avaliações, muitas vezes, não são levados em consideração para a construção de ações específicas para garantir o aprendizado daquilo que ainda não foi aprendido, e as notas acabam servindo apenas como rótulo para os alunos.

Em uma escala maior, é exatamente o que acontece quando temos apenas uma avaliação oficial aplicada ao final de um segmento, como é o caso do Enem tradicional. Não há chance ou espaço de tempo para qualquer intervenção que promova o aprendizado com base em lacunas apontadas pelos resultados da avaliação, pois ela ocorreu apenas ao final do processo. A nota é mera aferição do aprendizado do aluno nas áreas avaliadas pelo exame.

Vinícius Freaza explica que, com o Enem seriado, temos a oportunidade de mudar sensivelmente esse panorama. Embora as avaliações sejam aplicadas ao final de cada série e, portanto, no contexto dessa série, elas ainda guardam um caráter somativo, quando olhamos ao longo de todo o Ensino Médio, teremos ao menos mais dois pontos de checagem com avaliações oficiais sobre o processo de aprendizagem dos alunos. Nessa perspectiva, as avaliações aplicadas ao final da 1ª série do Ensino Médio, por exemplo, podem servir como diagnósticos para a 2ª série, e o mesmo vale para o ciclo seguinte. Isso é muito mais do que temos hoje.

Em 2021, primeiro ano de implementação do novo modelo, a prova será destinada apenas a alunos de 1ª série do Ensino Médio e abordará somente questões de língua portuguesa e matemática. Depois, a avaliação será expandida gradativamente para outras áreas do conhecimento e demais séries da educação básica, ampliando também as possibilidades de entrada nas faculdades públicas ou privadas que adotarem o exame em seu processo seletivo. O acesso à universidade ainda é uma questão sensível no País e, além do necessário aumento no número de vagas nas universidades, novas maneiras de abarcar alunos, como o Enem Seriado, poderão contribuir para a democratização do Ensino Superior.

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