Hospitais públicos
ficarão a pão e água

O governo do Pará publicou no Diário Oficial do Estado o 3⁰ Quadro de Detalhamento de Quotas Quadrimestrais referente a setembro, outubro, novembro e dezembro deste ano. O detalhe é que, dos quatro meses em que os órgãos estaduais deveriam receber recursos orçamentários e financeiros para custeio e investimento da máquina pública, somente no mês de outubro serão alocados recursos para hospitais públicos. As OS estão fora desse planejamento. Então, como ficarão a manutenção desses hospitais e os pacientes que vão à procura de tratamento médico?

Segunda onda

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Hospitais públicos e privados põem a boca no trombone: chegou a segunda onda de casos suspeitos de contaminação de Covid-19, a maioria deles atribuindo a “recaída” às aglomerações pelas festividades do Círio e do Dia das Crianças. O alerta partiu do Hospital Barros Barreto, onde a chefe da Divisão de Gestão do Cuidado, Janete Trindade (foto), assinou portaria suspendendo as visitas hospitalares. Outros hospitais – Porto Dias, Hospital Belém e Unimed Belém – registraram aumento de casos de 30%, em média.

Avesso do avesso

A Diretoria de Combate à Corrupção da Polícia Civil do Pará já nasceu viciada e sem amparo legal. Trocando em miúdos: o governo do Estado rasgou a Constituição, atropelou a Assembleia Legislativa – o que não é difícil –  e, ao invés de mandar um projeto de lei complementar para alterar a Lei Orgânica da corporação, simplesmente expediu um decreto. Essa diretoria, como se sabe, foi criada para perseguir opositores, mas perdeu a oportunidade de usar a própria Polícia como laboratório.

O sino da igrejinha

O sino eletrônico da Igreja da Trindade voltou a funcionar, mas está fazendo “Belém-bem, bem” muito alto – para desespero da vizinhança. O problema maior é que, como a sua máquina não foi ajustada convenientemente, o sino emite sons fora de hora em altura que o incompatibiliza com a presença de uma maternidade que lhe fica ao lado. Nesse caso, que deve ser logo contornado pela paróquia, pergunta-se: Por quem os sinos dobram?

Cuidado com o sinal

No sinal de trânsito instalado à rua dos Caripunas com a movimentada avenida Padre Eutíquio, centro de Belém, um casal de passarinhos gaiatos construiu um ninho no semáforo que sinaliza o amarelo. Ainda não se sabe que passarinhos são e quantos ovos estão chocando. Apesar de o ninho estar em um dos faróis, ninguém parece se incomodar, pois os sinalizadores do vermelho e do verde não estão obstruídos. Com todo o respeito, nem passarinho respeita sinal de trânsito em Belém.

Além da tragédia

Em meio à tragédia humana causada pela pandemia da Covid-19 e as polêmicas aquisições de respiradores, EPIs, e quetais pelos executivos estadual e municipal, para além da batalha contra o inimigo letal e invisível – o novo coronavírus – inicia-se uma guerra de versões e narrativas entre o governo do Estado e o Procurador-Geral de Justiça.

Guerra declarada

Desde julho, o governador do Pará convive com visitas da PF, constrangimentos e especulações sobre a sobrevivência no cargo e prisões de dois dos seus mais próximos secretários. Agora, com a operação que mirou contratações da Prefeitura de Belém e culminou na queda do titular da Sesma, Sérgio Amorim, os ataques ao prefeito se sucedem.

Laços de amizade

Com a história do oficial da PM que filmou a “Operação Quimera” na casa da mãe de Sérgio Amorim, o clima esquentou de vez. Segundo o jornal da família Barbalho, a esposa de Gilberto Martins é irmã de Amorim. O que o jornal não diz é que Gilberto trabalhou, quando membro do MP no CNJ, com o ministro Francisco Falcão, relator do “Caso Helder” no STJ.

Muitas emoções…

O que se sucederá após todo esse estado de coisas ninguém sabe. Mas sabe-se que os próximos meses na PMB serão os últimos e, no caso do governador, podem ser decisivos, na medida em que o boato que corre na cidade deriva de uma hipotética delação do ex-secretário Alberto Beltrame e de reiteradas ameaças de delação do ex-todo poderoso Parsifal Pontes.

· Dos 12 candidatos que disputam a Prefeitura de Belém, três ainda esperam o deferimento de suas candidaturas junto o TRE: Cássio Andrade (PSB), Mário Couto (PRTB), Jair Lopes (PCO).

· As casas de recepção e eventos estão com a agenda de 2021 praticamente lotadas, na esperança de que o coronavírus dê um tempo e as pessoas se soltem.

· Os preços de comida praticados nas barracas da Praia do Atalaia, em Salinas, estão pela hora da morte. A média é de R$ 140 por prato.

· A possível saída do zagueiro Perema e do meia Vinícius Leite do Paysandu é sinal de que o barco bicolor está fazendo água.

· O presidente Ricardo Gluck Paul está preocupado com o clube, mas muito tranquilo com a Cervejaria Cabocla, que vai muito bem, obrigado.

· Não convidem para o mesmo palanque o candidato do Psol à Prefeitura de Belém, Edmilson Rodrigues, e qualquer membro da família Roumié.

.· Eles atribuem a Edmilson a responsabilidade pelo fechamento da Clínica Roumié, em 1988, morta por inanição provocada pela então administração municipal.

· O presidente da OAB Do Pará, Campos, recebeu a tradicional medalha sino-brasileira, além do título de “Personalidade do Ano” nas relações bilaterais Brasil-China.

· No ato solene, no Ibrachina, em São Paulo, houve a posse dos membros da Coordenação Estadual das Relações Brasil-China, Samuel Medeiros e Anne Vitória do Nascimento.

· É grande a expectativa em torno das próximas eleições para a escolha de novos membros para a Academia Paraense de Letras.

· As inscrições já foram encerradas e em uma única cadeira haverá disputa. Os demais irão como candidatos únicos.

· Em 2022, quando o Brasil irá comemorar 200 anos de independência, a cidade de Belém não terá nenhuma estátua de seus heróis nas praças e logradouros públicos.

· Nos últimos anos, estátuas de bronze de algumas figuras da história do Pará foram  roubadas, derretidas e vendidas sem a menor de na consciência.

Pesquisa Eleitoral

A margem de erro entre
a verdade e a mentira

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Renato Conduru (foto) admite a existência de empresas no mercado que manipulam números para agradar candidatos. Outras contratam mão de obra local para coleta de dados que acabam direcionando os números e favorecendo o contratante.

  • Por que o eleitor costuma dizer que não acredita em pesquisas eleitorais?

 Em época de eleições são abertas muitas empresas de pesquisa eleitoral – bastam um estatístico e um CNPJ -, mas falta expertise, experiência e conhecimento da teoria de amostragem. O plano amostral é o coração da pesquisa. Sem ele a pesquisa já começa errada. Outro critério técnico não observado é a planificação da seleção do entrevistado, o que se chama de arrolamento da amostra. Esse critério evita a captação de repostas de aglomerações de eleitores, que podem ter uma só tendência eleitoral. A execução do plano amostral com o rigor técnico exigido depende de treinamento e pesquisadores habilitados. Há uma noção, até mesmo dos contratantes, que basta recrutar estudantes do segundo grau e universitários que a pesquisa flui naturalmente. Ledo engano. É preciso contar com profissionais experientes, que dominem a técnica de arrolamento e observância de cotas amostrais (estratificação de sexo, idade, escolaridade e condição econômica). As novas empresas geralmente utilizam mão de obra do próprio município pesquisado para baratear a pesquisa, o que agrada o contratante, mas é outro erro que compromete os resultados. Pessoas do próprio município conhecem muita gente na cidade, principalmente em municípios pequenos, e têm suas predileções políticas. Para facilitar o trabalho, selecionam conhecidos e parentes e conhecem previamente a intenção de voto dos entrevistados, o que favorece intencionalmente os candidatos de sua predileção. O resultado disso tudo é a divulgação de números que diferem entre si, sem uma tendência lógica, o que leva o eleitor a não acreditar em pesquisas.

  • Os números geralmente apresentados não condizem com a observação do eleitor nas ruas, nas campanhas, enfim… Como?

 Na resposta anterior enumerei várias razões que resultam em resultados que não retratam a intenção do eleitor. Além desses erros também há fraudes de campo. Hoje há mecanismos de checagem que minimizam os erros de fraude no campo. Porém, quando não se tem “estrada” de pesquisa, contratam-se pessoas que produzem coletas feitas com o eleitor imaginário. Via de regra, esse fraudador não conhece o cenário político e produz informações totalmente descoladas da realidade. Faltam também procedimentos de controle interno, de critica de consistência dos questionários para se avaliar se as respostas dadas pelo eleitor têm lógica, têm coerência.  Outro erro muito sério, que muitas empresas adotam para conseguir oferecer um preço muito abaixo do praticado no mercado é a redução da amostra oferecida, ou seja, vendem 500 entrevistas, mas realizam tão somente metade ou até menos desse total. Não têm compromisso com a fidedignidade dos dados, com a credibilidade. Isso prejudica a todos no mercado. Temos aqui institutos com know-how, mas são preteridos pelas grifes dos institutos nacionais justamente pela alta incidência de erros de empresas locais. Todo mundo paga o pato.

  • Como as pesquisas distantes do resultado final de uma eleição se justificam?

Pesquisas, independentes do tempo de realização, distantes da data da eleição são muito importantes para planejar as estratégias de campanha. Através das pesquisas se sabe quais os principais problemas do município que o eleitor deseja que o próximo prefeito priorize em seu plano de trabalho. Avalia também o desempenho do gestor atual (ou do próprio candidato), assim como a rejeição do gestor e os motivos da rejeição. As pesquisas antecipadas permitem corrigir e consolidar rumos.

  • Existe manipulação de dados com relação à margem de erro de uma pesquisa em início e no final da campanha?

Não posso afirmar que não há, mas é uma burrice fazer isso, Pode significar a perda de credibilidade do instituto. Manipular a margem de erro de pesquisas pode sinalizar resultados que não se confirmam nas urnas. É tentar enganar o eleitor, levá-lo ao voto útil, o que na maioria das vezes não acontece. Os institutos de pesquisas necessariamente devem incorporar o compromisso com a ética, com a lisura do pleito e não adotar práticas escusas.

  • Como explicar a derrota de candidatos da noite (anterior ao pleito) para o dia (da eleição), como acontece vez por outra?

 Nem sempre as pesquisas são responsáveis pela perda da eleição na véspera do pleito. Debates ou fatos da vida pregressa do candidato podem mudar uma tendência eleitoral que se revelava vencedora. Essas mudanças acontecem em sua maioria em municípios pequenos, onde as notícias correm rapidamente.

  • Pesquisa encomendada é “encomenda”?

 Não deveria, mas há sim empresas que fazem pesquisas para agradar o contratante e garantir a continuidade das contratações. Pesquisa tem que retratar o momento, exige conhecimento de estatística, de amostragem, de técnicas de entrevistas, de controle da fidedignidade dos dados. Deve-se respeitar o tamanho da amostra e os princípios éticos, mesmo que isso resulte em insatisfação do contratante. Não se faz pesquisa com a cara do dono, e sim com a cara do eleitor. Credibilidade se conquista com o tempo!

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